Seis candidatos disputam comando da ONU, que vive crise profunda; debates começam hoje
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Os seis candidatos a secretário-geral da ONU: Michelle Bachelet (Chile), María Fernanda Espinosa (Equador), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica), Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana) e Macky Sall (Senegal). — Foto: Mark Gart/ONU; Manuel Elías/ONU; Loey Felipe/ONU; Jean Marc Ferré/ONU
Os seis candidatos a secretário-geral da ONU: Michelle Bachelet (Chile), María Fernanda Espinosa (Equador), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica), Carolyn Rodrigues Birkett (Guiana) e Macky Sall (Senegal). — Foto: Mark Gart/ONU; Manuel Elías/ONU; Loey Felipe/ONU; Jean Marc Ferré/ONU
Ao todo, seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
Após uma década à frente das Nações Unidas, Guterres deixa o cargo ao fim do último mandato permitido. Os seis concorrentes à sucessão apresentam, nesta semana, suas propostas em debates públicos promovidos pela organização.
A escolha começa no Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes – Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido – têm poder de veto. Apenas o candidato aprovado pelo Conselho segue para a votação final na Assembleia Geral da ONU, que faz a nomeação oficial.
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América Latina concentra metade dos candidatos
A América Latina é a região com maior representação na disputa, com três dos seis candidatos: a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, e a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
- Bachelet tenta se tornar a primeira mulher a comandar a ONU e defende uma organização mais firme na defesa dos direitos humanos.
- Grossi aposta na experiência acumulada à frente da agência nuclear da ONU para lidar com crises internacionais e propõe uma reforma administrativa para tornar a organização mais eficiente.
- Já Grynspan defende uma ONU mais ousada e um Conselho de Segurança mais representativo, com maior participação de países da África e da América Latina.
Essa ampla presença latino-americana reforça o peso político da região na disputa, embora a decisão final dependa, sobretudo, do aval dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que têm poder de veto.
Quem são os demais candidatos
Além dos representantes latino-americanos, a disputa conta com outros dois nomes de destaque. Um deles é o ex-presidente do Senegal Macky Sall, que governou o país entre 2012 e 2024 e aposta na experiência política e na defesa de uma maior presença africana nas instâncias de decisão global.
A outra candidata é a diplomata Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, atual representante permanente do país na ONU. De origem indígena ameríndia, ela entrou mais recentemente na disputa e defende o fortalecimento do multilateralismo, uma ONU mais eficiente e capaz de responder aos desafios contemporâneos.
Em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil apoiaria a candidatura de Michelle Bachelet, assim como o México.
Processo de escolha ganha mais transparência
A principal mudança em relação às eleições anteriores é o aumento da transparência. Desde 2016, a ONU passou a adotar um processo mais aberto para a escolha do secretário-geral, e as regras foram reforçadas por uma resolução aprovada no ano passado.
Agora, as candidaturas são divulgadas oficialmente, junto com os currículos, as propostas de cada concorrente e informações sobre o financiamento das campanhas.
Outra novidade é a realização de debates e diálogos públicos, como o desta quinta-feira, em que os candidatos apresentam suas prioridades e respondem a perguntas de representantes dos Estados-membros e da sociedade civil.
Embora a decisão continue nas mãos do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral, o processo se tornou mais transparente e permite um escrutínio muito maior por parte da comunidade internacional.
Quais serão os próximos passos
Findada a etapa de debates públicos, o processo entra na fase de negociações diplomáticas. A escolha passa para o Conselho de Segurança, onde o candidato precisa obter pelo menos nove votos favoráveis e, principalmente, não ser vetado por nenhum dos cinco membros permanentes.
Só depois dessa recomendação é que o nome segue para a Assembleia Geral da ONU, formada pelos 193 Estados-membros, responsável pela nomeação oficial. O mandato é de cinco anos, com possibilidade de uma recondução.
A eleição deste ano também pode marcar um momento histórico. A organização poderá ter, pela primeira vez em seus 80 anos, uma mulher no comando das Nações Unidas.

