Dólar e Ibovespa operam em queda, com inflação no Brasil e nos EUA no foco

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em queda nesta sexta-feira (11), com um recuo de 0,48% perto das 10h20, cotado a R$ 5,0781. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha perdas de 0,48% no mesmo horário, aos 187.361 pontos.

O principal destaque da sessão fica com os novos dados da inflação no Brasil e nos Estados Unidos. O mercado também acompanha a queda no petróleo, conforme investidores realizam lucros após uma forte alta da commodity em meio à guerra no Oriente Médio. O quadro eleitoral brasileiro também segue no radar.

▶️ O Brasil registrou uma deflação de 0,32% em agosto, na maior queda de preços em quatro anos. Os dados devem reforçar a perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) continue a cortar os juros na reunião deste mês. Dados da B3 divulgados na véspera indicam 95% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) na taxa básica.

▶️ Já nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) fica no centro das atenções. O indicador subiu 0,4% em agosto, em linha com o esperado pelo mercado. Somado à alta da inflação ao produtor no mês, o dado reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) possa subir os juros na próxima semana.

▶️ Ainda no exterior, o mercado internacional de petróleo fica no radar. Os preços da commodity caem nesta sexta-feira, em meio a uma realização de lucros após as fortes altas dos últimos dias, quando o petróleo voltou a ultrapassar os US$ 105. Investidores ainda seguem atentos à guerra entre os EUA e o Irã, que continua a levantar preocupações com a oferta global de energia.

  • Perto das 10h20, o barril do Brent, referência internacional, caía 3,35%, cotado a US$ 104,02. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha queda de 3,49% no mesmo horário, a US$ 98,90 o barril.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,53%;
  • Acumulado do mês: -1,49%;
  • Acumulado do ano: -7,03%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +1,69%;
  • Acumulado do mês: +6,12%;
  • Acumulado do ano: +16,85%.

Petróleo dispara em meio a tensões no Oriente Médio

Os preços do petróleo continuam em trajetória de alta nesta quinta-feira (10), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

Os ataques dos Houthis podem ameaçar os embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, que se tornou uma importante rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo estreito, cujo fluxo foi severamente reduzido desde o início do conflito.

Após os ataques, um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, sinalizando uma nova escalada da guerra.

O aumento das tensões volta a levantar preocupações sobre a oferta global da commodity, com vários bancos já elevado suas projeções para o preço do petróleo no mercado internacional.

Caso essa estimativa se confirme, a expectativa é que a alta do petróleo provoque novos aumentos nos custos de energia e pressione a inflação global. Isso poderia levar bancos centrais de diversos países a manter ou elevar as taxas de juros.

Inflação e juros

Os novos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos ficam no centro das atenções do mercado nesta sexta-feira.

No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu 0,32% em agosto e registrou a maior deflação desde agosto de 2022, quando o indicador caiu 0,36%.

O resultado reforça a tendência de queda de preços e aumenta a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), faça um novo corte da taxa básica de juros na próxima semana.

Apesar da queda em agosto, o IPCA acumula alta de 3,11% no ano e de 4,22% em 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados nos 12 meses encerrados em julho.

  • 🔎 Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas prevê inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que equivale a um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

Já nos Estados Unidos, o CPI teve uma alta de 0,4% em agosto, puxido pelo aumento no custo da gasolina. Apesar de ter vindo em linha com o esperado pelo mercado, o dado reforça a perspectiva de que o Fed pode aumentar os juros em sua próxima reunião de política monetária.

Nos 12 meses até agosto, a inflação ao consumidor avançou 3,4%, mesma taxa de julho. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice subiu 0,3% no mês passado, de 0,2% em julho, e teve alta de 2,4% na base anual, de 2,5% no mês anterior.

Bolsas globais

Na Ásia, a maioria dos dos índices fechou em queda, em meio às expectativas crescentes de uma nova alta de juros por parte do Fed.

O SSEC, índice de Xangai, perdeu 1,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,84%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,60%.

Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, caiu 1,93%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,76%.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels

Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels