Contas públicas têm déficit de R$ 10 bilhões em agosto; dívida sobe para 82,9% do PIB, maior nível desde 2021
As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, informou o Banco Central (BC) nesta quarta-feira (30).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com agosto do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 17,3 bilhões naquele mês.
➡️Com o novo déficit nas contas públicas em agosto, o endividamento continuou subindo e atingiu, no mês passado, 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) — veja mais abaixo nessa reportagem.
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Veja abaixo o desempenho das contas em agosto deste ano:
- governo federal registrou saldo negativo de R$ 14,7 bilhões;
- estados e municípios tiveram saldo superavitário de R$ 2,7 bilhões;
- empresas estatais apresentaram superávit de R$ 2 bilhões.
Parcial do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 88,9 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 61,8 bilhões (0,74% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 97,1 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 84,6 bilhões nos oito primeiros meses de 2025.
- Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
- De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
- Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
- O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 67,3 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 116 bilhões nas contas do setor público em agosto.
➡️No acumulado em 12 meses até agosto, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,26 trilhão, ou 9,48% do PIB.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,18 trilhão (8,86% do PIB) em doze meses até agosto deste ano.
Dívida pública
Em agosto, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,3 ponto percentual, para 82,9% do PIB — o equivalente a R$ 11,05 trilhões.
➡️Este é o maior nível para a dívida pública desde março de 2021, quando somava 85,1% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais cinco anos.
➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 11,2 pontos percentuais.
🔎A alta na dívida no governo Lula está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, que gera mais despesas com juros — um ciclo vicioso que se retroalimenta.
➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza de um conceito internacional — englobando os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em agosto: 94,5% do PIB.
🔎A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.
➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).
Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado “arcabouço fiscal”, ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos.
- A norma prevê crescimento das despesas abaixo das receitas, e um limite para gastos. Entretanto, despesas excluídas desse limite continuam pressionando para cima o endividamento.
- Analistas pedem um corte robusto de gastos para conter a dívida e proporcionar queda do juro básico.



