Ataques deixam milhares sem luz na Ucrânia em meio a novas negociações de paz
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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante entrevista coletiva em cúpula de líderes da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, em 16 de outubro de 2026 — Foto: Yves Herman/Reuters
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante entrevista coletiva em cúpula de líderes da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, em 16 de outubro de 2026 — Foto: Yves Herman/Reuters
“A intensidade dos ataques é muito alta, e os russos estão tentando explorar ao máximo a escassez de interceptores de mísseis balísticos”, afirmou Zelensky.
Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou 433 drones de longo alcance contra o país desde a noite de sábado. As forças ucranianas afirmaram ter derrubado 371 deles. Dezenas de drones ainda estavam no ar na manhã deste domingo, e Kiev emitiu seis alertas desde a meia-noite.
Zelensky afirmou ainda que forças ucranianas atingiram a fábrica Kamensky, na região russa de Rostov, que, segundo ele, participa da produção de mísseis russos. Moscou não havia comentado a declaração.
Agora no g1
Os novos ataques ocorrem enquanto Rússia, Ucrânia e Estados Unidos tentam avançar nas negociações para encerrar o conflito.
A próxima rodada de negociações para tentar encerrar a guerra deve começar em formato trilateral, com representantes de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, afirmou neste domingo Yuri Ushakov, assessor de política externa do Kremlin, segundo a agência Interfax.
Questionado sobre a possível participação de países europeus nas negociações, Ushakov afirmou: “Temos contatos de trabalho com os americanos. Portanto, é lógico que pelo menos as primeiras rodadas de negociações sejam realizadas em formato trilateral.”
Ushakov afirmou ainda que o presidente russo, Vladimir Putin, atenderia a uma eventual ligação de Zelensky e disse que o líder russo nunca se recusou a dialogar.
“Acho que ele atenderia, claro. Putin nunca se recusou a dialogar”, disse Ushakov, segundo a Interfax.
Ataques atingem infraestrutura na Rússia
Uma instalação industrial na região russa de Nizhny Novgorod sofreu danos significativos após um ataque de drones em grande escala, afirmou neste domingo o governador local, Gleb Nikitin. Ele não informou o nome da instalação e disse que os serviços de emergência foram acionados.
A região abriga a refinaria de petróleo NORSI, uma das maiores da Rússia, mas não há confirmação de que ela tenha sido alvo do ataque.
O governo regional afirmou, porém, que está tomando medidas para garantir o abastecimento dos postos e pediu aos motoristas que evitassem compras por pânico, segundo a agência Interfax.
O alerta levanta a possibilidade de que a instalação atingida esteja relacionada à infraestrutura de refino ou distribuição de combustíveis da região. Até o momento, porém, as autoridades russas não identificaram o local, e a Ucrânia não reivindicou a autoria do ataque.
Investigadores russos abriram um processo criminal por suspeita de terrorismo relacionado ao ataque contra a instalação industrial e a infraestrutura civil da região, informou a agência estatal TASS, citando o Comitê de Investigação da Rússia.
O episódio ocorre em meio a uma série de ataques ucranianos contra a infraestrutura energética da Rússia. Moscou afirmou na sexta-feira que a Ucrânia havia retomado ofensivas contra refinarias russas e acusou Kiev de ignorar um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela interrupção desse tipo de ataque.
A Ucrânia, por sua vez, afirma apoiar um cessar-fogo total contra alvos energéticos, o que também incluiria sua própria rede elétrica, mas diz que Moscou não aceita a proposta.
Em entrevista à TV estatal Vesti neste domingo, o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, responsável pelo setor energético, não mencionou o ataque em Nizhny Novgorod, mas afirmou que as ofensivas ucranianas contra refinarias russas estavam aumentando os desequilíbrios no mercado global de combustíveis e afetando os preços.
*Com informações da agência de notícias Reuters.


