Audiências sobre tarifaço: governo decide enviar observadores e mantém aposta em negociações diretas
Setor produtivo vai aos EUA para barrar novo tarifaço
Mesmo assim, a embaixada em Washington enviará representantes, na condição de observadores, para que o governo tome ciência dos argumentos.
As informações são do Ministério das Relações Exteriores. O entendimento do governo brasileiro é que este espaço, das audiências públicas, não é o adequado para negociação real, e sim, as conversas técnicas e de alto nível que têm havido nas últimas semanas e que estão programadas para os próximos dias.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-cadidato à Presidência, e o influenciador político Paulo Figueiredo se inscreveram para discursar durante as audiências. Flávio vai abrir o segundo dia (veja aqui os argumentos que ele pretende levar).
➡️ A participação na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por formular e negociar a política comercial do país, é aberta aos interessados que se inscreverem.
Reuniões diplomáticas
Na semana passada, por exemplo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, teve uma conversa com o representante do escritório comercial dos EUA, Jamieson Greer. Após a reunião, Rosa informou que novas conversas estão previstas para os próximos dias.
Nesses encontros entre autoridades brasileiras e americanas voltados à negociação, o governo apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos 6 pontos levantados pelos EUA, mas ainda não recebeu resposta formal.
O prazo é 15 de julho para ser fechado um acordo. Diante disso, o próprio governo brasileiro vem dizendo que corre contra o tempo para chegar a um entendimento com o governo americano, mostrando os dados da relação comercial e do combate ao desmatamento, por exemplo.
Novos mercados
Na manhã desta segunda-feira (6), o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, afirmou que a solução é manter a estratégia de articulação direta.
“A solução para isso vocês sabem, é o que o governo tem feito. Primeiro, conversar, negociar e a liderança importante do ministro Márcio Elias Rosa, do vice-presidente Geraldo Alckmin demonstrar que essa medida inadequada fará mal a economia brasileira e fará mal também a economia norte-americana”, disse.
Em paralelo, o ministro destacou a importância de buscar novos mercados neste momento.
“O Brasil tem mais de 500 novos mercados para o seu segmento econômico ao longo dos últimos três anos e meio. E nós vamos continuar. As empresas médias e pequenas brasileiras têm capacidade de exportar. Felizmente, essa agressão vem num momento em que o Brasil realiza um acordo histórico com a União Europeia, demonstrando a força do Brasil no comércio internacional”, prosseguiu.
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Presidente Lula nos Estados Unidos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Presidente Lula nos Estados Unidos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O que diz o governo
Nos bastidores, a avaliação de integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty é que a recomendação feita pelo USTR tem caráter político e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelos negociadores ao longo do último ano.
Esses interlocutores indicam como exemplo o fato de os documentos referentes ao início da investigação comercial, de julho de 2025, e da recomendação pelas tarifas, de junho de 2026, serem “praticamente iguais”.
Portanto, sob reserva, integrantes do governo dizem não acreditar na reversão completa do tarifaço, somente em uma eventual redução ou anúncio de exceções.




