Christa Pike está com raiva e confusa após sobreviver à execução, diz advogado
Christa Pike sobrevive a duas injeções letais nos EUA; entenda o caso
Christa Pike está “com raiva e confusa” depois de recobrar a consciência quase seis dias após a tentativa fracassada do Tennessee de executá-la, disse um de seus advogados nesta quarta-feira (7).
“Ela está com raiva e confusa com tudo neste momento. […] Ela tem plena consciência do que fizeram com ela até certo ponto”, disse Randy Spivey durante uma entrevista coletiva.
“Não tenho uma explicação para o que aconteceu entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira, mas sei que ela tem um longo caminho de recuperação pela frente”, afirmou Spivey.
O Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte) afirma que Pike é a única pessoa a sobreviver depois de receber drogas destinadas à injeção letal durante uma execução.
Em uma audiência realizada nesta quarta-feira em Nashville, os advogados de Pike pediram ao Departamento de Correção do Tennessee que preservasse as provas do caso e fornecesse mais informações sobre o que deu errado. Um juiz determinou que o estado preservasse “tudo o que estava na sala onde a execução de fato ocorreu”.
“Parte do problema que estamos enfrentando é que, até ontem, nossa cliente estava inconsciente, sem condições de se comunicar com seus advogados, sem condições de se comunicar com os profissionais de saúde, e, sem o consentimento dela”, uma nova ação judicial não pode ser apresentada, disse ao tribunal Luke Ihnen, defensor público federal.
A execução fracassada reacendeu o escrutínio sobre a forma como os estados americanos aplicam a pena de morte, em particular sobre o uso da injeção letal. O Texas estava programado para realizar nesta quarta-feira a primeira execução nos Estados Unidos desde que o Tennessee tentou executar Pike.
Advogados de Christa Pike querem que provas sejam preservadas
Os advogados de Pike pediram uma ordem judicial que obrigasse o sistema prisional a preservar informações relacionadas à tentativa de execução, incluindo os números dos lotes dos medicamentos, agulhas, registros da execução e outras informações.
A juíza I’Ashea Myles indicou que sua ordem para preservar as provas tem amplo alcance, afirmando que o estado deveria manter gravações, relatos de testemunhas e e-mails, além dos medicamentos, seringas, acessos intravenosos e outros materiais médicos.
A Procuradoria-Geral do Tennessee afirmou que uma ordem judicial era desnecessária. John W. Ayers, procurador-geral adjunto, disse que as provas da câmara de execução já haviam sido recolhidas e registradas.
O governador republicano Bill Lee classificou o ocorrido como “profundamente perturbador” e determinou uma “revisão abrangente e independente, conduzida por terceiros, para determinar exatamente o que aconteceu”. O governador adiou a única outra execução prevista no estado para este ano.
O chefe do sistema prisional do estado renunciou após a execução fracassada.
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Christa Pike entrando em tribunal no Tennessee, nos Estados Unidos. Foto de dezembro de 2007. — Foto: J. Miles Cary/Knoxville News Sentinel/USA TODAY via REUTERS
Christa Pike entrando em tribunal no Tennessee, nos Estados Unidos. Foto de dezembro de 2007. — Foto: J. Miles Cary/Knoxville News Sentinel/USA TODAY via REUTERS
Recuperação de Christa Pike continua incerta
Especialistas em medicina e injeção letal têm se concentrado na possibilidade de que um problema no acesso intravenoso tenha feito com que o medicamento se acumulasse nos tecidos de Pike, em vez de entrar em sua corrente sanguínea.
A tentativa de execução começou por volta das 19h30 de 30 de setembro, quando Pike teve a oportunidade de fazer uma declaração final. Cerca de cinco minutos depois, Pike levantou a cabeça e disse que seu braço estava doendo. Em determinado momento, ela pareceu perder a consciência, mas ainda era possível ouvi-la respirando até que os jornalistas fossem retirados da sala destinada às testemunhas, às 20h53. Uma ambulância chegou à prisão às 21h14 para levar Pike a um hospital.
O dr. Joel Zivot, professor de anestesiologia e cirurgia em Atlanta que atuou como especialista consultado pela equipe jurídica de Pike, disse que podem ser necessárias semanas ou meses até que se saiba exatamente como será sua recuperação e se ela poderá recuperar sua capacidade mental e jurídica a ponto de o estado tentar executá-la novamente.
Vídeo mostra Christa Pike, que sobreviveu à injeção letal, durante julgamento em 1996




