Dólar opera em alta, de olho em ata do Copom e Lula na ONU; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em alta nesta terça-feira (22), com um avanço de 0,06% perto das 12h, cotado a R$ 5,1115. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha queda de 0,36% no mesmo horário, aos 185.929 pontos.

O destaque da sessão fica com a ata da última reunião de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Investidores também acompanham a queda nos preços do petróleo, que pode pressionar ações do setor de energia, e o discurso do presidente Lula (PT) na Organização das Nações Unidas (ONU).

▶️A ata da última reunião do Copom fica no centro das atenções nesta terça-feira. No documento, o Banco Central (BC) reconheceu a desaceleração da atividade econômica, do crédito e da inflação, mas ponderou os riscos fiscais e a incerteza quanto ao cenário internacional. No último boletim Focus, divulgado ontem, a projeção dos economistas é que a Selic termine 2026 em 13,5% ao ano.

▶️ O discurso de Lula na ONU também fica no radar. As falas acontecem em meio a um momento delicado entre Brasil e Estados Unidos, que continuam sem avanço nas negociações das tarifas americanas sobre produtos brasileiros.

▶️ Investidores continuam a monitorar a queda nos preços do petróleo. No final de semana, a China atendeu a um pedido da Arábia Saudita e pediu que o Irã limitasse os ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera do país.

  • Perto das 12h, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 0,36%, cotado a US$ 99,98. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 0,47%, a US$ 95,33 o barril.

▶️Ainda no exterior, o mercado também segue em compasso de espera pela cúpula entre Trump e Xi Jinping, prevista para quinta-feira. A expectativa é que os líderes sinalizem uma prorrogação da trégua comercial firmada entre os dois países no ano passado e que evitou um grande choque na economia global. Questões envolvendo Taiwan também podem ser abordadas.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,70%;
  • Acumulado do mês: -1,38%;
  • Acumulado do ano: -6,93%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,74%;
  • Acumulado do mês: +5,17%;
  • Acumulado do ano: +15,81%.

Queda nos preços do petróleo

As tensões no Oriente Médio seguem no radar dos investidores. De um lado, o crescente conflito entre os EUA e o Irã continuam a diminuir as esperanças de que o Estreito de Ormuz — rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra na região — seja reaberto em breve.

Ainda assim, a sinalização da Arábia Saudita, na semana passada, de que ofereceria cargas adicionais de petróleo por rotas alternativas, trouxe alívio aos preços da commodity nos últimos dias.

No sábado, a China atendeu a um pedido do país e solicitou ao Irã que limitasse os ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera saudita, que têm ameaçado uma segunda rota de exportação de petróleo no Oriente Médio.

A Arábia Saudita também informou, na semana passada, que buscava restaurar cerca de metade da capacidade de seu oleoduto Leste-Oeste, após a interrupção sofrida devido a ataques de drones. A notícia também ajudou a diminuir preocupações com a oferta global de petróleo e ajudava a reduzir os preços da commodity.

Encontro Trump-Xi

Além da prorrogação do acordo comercial, os dois países também devem tratar sobre inteligência artificial.

Estados Unidos e China consideram os avanços na tecnologia estratégicos para a competitividade econômica e militar dos dois países. Washington e Pequim, no entanto, mantêm divergências importantes sobre o setor.

Entre os principais pontos de atrito estão as restrições americanas ao acesso da China a chips avançados, acusações envolvendo cópia e transferência de tecnologia e diferenças sobre como a indústria de inteligência artificial deve ser regulada.

Os Estados Unidos têm restringido o acesso chinês a semicondutores de ponta e outras tecnologias consideradas estratégicas, enquanto a China critica as medidas e acusa Washington de tentar limitar seu desenvolvimento tecnológico.

Bolsas globais

Em Wall Street, os principais índices americanos operavam mistos, com investidores de olho em Trump na ONU e em meio às expectativas de negociações no Oriente Médio.

Perto das 12h, o Dow Jones caía 0,44%, enquanto o S&P 500 subia 0,01% e o Nasdaq Composite tinha alta de 0,38%.

Na Europa, a maioria das bolsas locais operava em alta, também de olho no petróleo. No mesmo horário, o DAX, da Alemanha, subia 0,05%, enquanto o CAC-40, da França, avançava 0,25%. O FTSE 100, do Reino Unido, ia na contramão e tinha queda de 0,19%,

Na Ásia, a maioria dos mercados acionários fecharam em alta modesta, em meio à expectativa de que a China e os EUA prorroguem a trégua comercial na reunião entre Trump e Xi Jinping, prevista para quinta-feira.

O SSEC, índice de Xangai e o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, subiram 0,1%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,2%.

Entre os demais mercados da região, o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,15%, enquanto o Nikkei, do Japão, permaneceu fechado.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Notas de dólar. — Foto: Murad Sezer/ Reuters

Notas de dólar. — Foto: Murad Sezer/ Reuters