Dólar opera em alta, de olho nos preços do petróleo e cenário político brasileiro; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em alta nesta quinta-feira (1º), com um avanço de 0,35% perto das 10h40, cotado a R$ 5,1922. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha ganhos de 0,10% no mesmo horário, aos 186.525 pontos.

▶️As tensões no Oriente Médio voltaram a pressionar o mercado de energia, após novos ataques no Estreito de Ormuz. Três petroleiros foram atingidos por projéteis enquanto transitavam pelo canal, o que voltou a levantar preocupações com o conflito na região. Na véspera, o Irã também afirmou que se a República Islâmica continuar com suas exportações bloqueadas, nenhum outro país da região será capaz de exportar petróleo.

  • Em meio à nova escalada das tensões, os preços do petróleo voltaram a subir. Perto das 10h40, o barril do Brent, referência internacional, operava em alta de 1,83%, cotado a US$ 99,82. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 0,34%, a US$ 90,73 o barril.

▶️ Investidores também seguem atentos aos sinais sobre o futuro dos juros nos EUA. Na véspera, o PCE, indicador que mede a inflação a partir dos gastos dos consumidores americanos e a medida preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na condução dos juros, ficou em 3,4% em agosto na comparação com um ano antes, abaixo das previsões do mercado (3,7%). No mês, a alta foi de 0,3%, também abaixo da estimativa de 0,4%.

  • O dado foi bem recebido pelo mercado e reduziu as preocupações de que o BC americano subisse os juros já em outubro. A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.

▶️ As atenções também seguem voltadas ao cenário político, em meio à proximidade das eleições. Nesta quinta-feira, o Datafolha deve divulgar, no início da noite, uma nova rodada de pesquisas com os números da corrida presidencial. O levantamento foi contratado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo e é o último antes do debate desta noite.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,13%;
  • Acumulado do mês: -0,10%;
  • Acumulado do ano: -5,73%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +1,56%
  • Acumulado do mês: +5,03%;
  • Acumulado do ano: +15,65%.

Novas tensões no Oriente Médio

O ataque a navios petroleiros que trafegavem pelo Estreito de Ormuz voltou a elevar os preços do petróleo nesta quinta-feira. As embarcações foram atingidas por projéteis de origem desconhecida. As informações são do serviço de inteligência marítima Marisks.

A ofensiva acontece apenas dois dias depois de o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmar que nenhum país da região será capaz de exportar petróleo se a República Islâmica for impedida de vender sua commodity.

Na véspera, o Irã informou que recebeu uma resposta dos EUA à sua mais recente proposta para restabelecer o cessar-fogo no Golfo Pérsico, dias depois de o presidente americano, Doanld Trump, ter afirmado que havia rejeitado.

Segundo o Irã, seu plano visava restaurar um acordo provisório que fracassou semanas após ter sido assinado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, em junho. A proposta também incluia a suspensão do bloqueio aos portos iranianos por parte de Washington e a reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias pelo Irã.

Na semana passada, mediadores do Catar transitaram entre os enviados dos EUA e do Irã em Nova York, à margem de uma reunião das Nações Unidas — as primeiras negociações indiretas entre as partes em conflito desde que o cessar-fogo foi rompido.

Uma autoridade a par das negociações afirmou à Reuters que as partes concordam amplamente sobre as medidas necessárias, mas ainda discordam sobre a ordem em que devem ser tomadas.

O Irã quer que um eventual acordo lhe conceda o controle sobre o Estreito de Ormuz, a rota de transporte de petróleo mais importante do mundo, que passa ao largo de sua costa.

O tráfego marítimo pelo estreito aumentou nas últimas semanas, com as transportadoras cobrando taxas elevadas para enfrentar o risco de ataques. No entanto, os fluxos de petróleo bruto, produtos refinados e gás natural continuam substancialmente interrompidos.

Nesta quinta-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã “nunca se esquivará” do diálogo com os EUA.

“Nunca nos esquivamos das negociações, e nunca o faremos, embora os Estados Unidos tenham atacado nosso país três vezes, apesar de terem assinado um acordo”, afirmou ele, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.

Bolsas globais

Em Wall Street, os principais índices americanos operavam mistos nesta quinta-feira, em parte impulsionados por papéis de setores ligados à tecnologia.

Perto das 10h40, o Dow Jones subia 0,39% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 0,41%. O S&P 500, por sua vez, caía 0,25%.

Na Europa, a maioria dos índices locais operavam em queda, conforme investidores avaliavam a nova escalada das tensões no Oriente Médio e repercutiam novos indicadores da região. O DAX, da Alemanha, recuava 0,14% no mesmo horário, enquanto o CAC-40, da França, perdia 0,80% e o FTSE 100, do Reino Unido, caía 0,96%.

Na Ásia, a bolsa japonesa registrou, nesta quinta-feira, seu maior fechamento em mais de seis semanas, depois que resultados sólidos da Micron Technology alimentaram o otimismo em relação aos investimentos ligados à inteligência artificial. O índice Nikkei, do Japão, subiu 3,3%, aos 68.956,72 pontos, no maior nível desde 17 de agosto.

Entre os demais índices da região, o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 1,95%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, o SSEC, Índice de Xangai, e o CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, permaneceram fechados.

Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

Notas de real e dólar — Foto: Amanda Perobelli/ Reuters

* Com informações da agência de notícias Reuters.