Dólar sobe acima de R$ 5 com tensão entre EUA e Irã e posse do novo presidente do Fed; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera nesta sexta-feira (22) em alta de 0,39%, cotado a R$ 5,0201 por volta das 14h11. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 1%, a 175.867 pontos.

▶️ O foco do mercado continua voltado para a guerra no Oriente Médio. Sem um acordo entre Washington e Teerã para encerrar o conflito, os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira, embora novas declarações tenham aumentado a expectativa de avanço nas negociações.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que houve “algum progresso” nas conversas com o Irã, mas admitiu que ainda não existe um acordo fechado.

  • 🔎 Por volta das 12h11 (horário de Brasília), o petróleo Brent, referência internacional, avançava 1,71%, cotado a US$ 104,33 o barril. Antes do conflito, em fevereiro, o preço girava em torno de US$ 70.

▶️ Ainda no cenário americano, Kevin Warsh toma posse oficialmente nesta sexta-feira como presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Ele substitui Jerome Powell em meio a um período de forte atenção do mercado sobre os rumos da política monetária americana.

▶️ Warsh assume o cargo em meio à deterioração da confiança do consumidor nos EUA, que atingiu em maio o menor nível de maio, pressionada pela disparada dos preços da gasolina durante a guerra.

▶️ No Brasil, os investidores acompanham a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas do governo federal, usado para avaliar a situação das contas públicas e o cumprimento das metas fiscais. O mercado também monitora os dados da atividade industrial de março divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ajudam a medir o ritmo da economia brasileira.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -1,32%;
  • Acumulado do mês: +0,99%;
  • Acumulado do ano: -8,89%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,21%;
  • Acumulado do mês: -5,16%;
  • Acumulado do ano: +10,26%.

Guerra no Oriente Médio

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira diante do impasse entre EUA e Irã nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio, embora novas declarações tenham renovado a expectativa de avanço nas conversas.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que houve “algum progresso” nas negociações, mas reconheceu que ainda não há acordo.

Segundo ele, o governo de Donald Trump prefere uma solução diplomática, embora mantenha outras alternativas caso as conversas fracassem. O principal impasse continua sendo o programa nuclear iraniano e a situação do Estreito de Ormuz.

Um conselheiro dos Emirados Árabes Unidos afirmou que ainda vê “50% de chance” de um acordo entre EUA e Irã, mas alertou que o Irã pode acabar dificultando as negociações ao endurecer sua posição. Segundo ele, a região precisa de uma solução política para evitar uma nova escalada militar.

Nesta manhã, a Guarda Revolucionária do Irã informou que 35 embarcações comerciais, incluindo petroleiros e navios de carga, atravessaram o Estreito de Ormuz com autorização iraniana nas últimas 24 horas.

Nos EUA, o cenário político também aumentou a cautela dos investidores. Parlamentares adiaram uma votação que poderia pressionar Trump a retirar o país da guerra.

Novo presidente do Fed

Em seu discurso de posse nesta sexta-feira, o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que pretende conduzir uma agenda “voltada para reformas” à frente do banco central americano.

  • 🔎 Warsh assume o comando do Fed em um momento delicado para a economia dos EUA. Por isso, o mercado acompanha de perto os próximos passos do novo chefe da instituição, já que as decisões sobre os juros americanos influenciam o dólar, as bolsas globais e até a economia brasileira.

Indicado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, Warsh chega ao cargo após críticas frequentes de Trump à resistência de Powell em cortar os juros.

Apesar disso, analistas veem Warsh como um nome técnico, com histórico de atuação mais rígida no combate à inflação. (leia a análise completa)

Hoje, a principal dúvida do mercado é se o novo presidente manterá juros elevados para controlar a inflação ou se poderá abrir espaço para cortes mais adiante. A alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio aumentou a pressão inflacionária e tornou mais difícil uma redução dos juros.

Durante a cerimônia de posse na Casa Branca, Trump afirmou que deseja que Warsh atue com “total independência” no comando do Fed.

“Não olhe para mim, não olhe para ninguém, apenas faça o que tem que fazer”, declarou o presidente americano.

Mercados globais

Em Wall Street, as bolsas ainda sustentam um tom positivo, com o S&P 500 em alta de 0,52%, Dow Jones subindo 0,65% e Nasdaq avançando 0,64% no início da tarde.

Já as bolsas europeias fecharam em alta, com investidores mais otimistas diante da possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã.

O setor de tecnologia liderou os ganhos, impulsionado pelo otimismo com inteligência artificial e pelos resultados da NVIDIA.

Em Londres, o índice FTSE 100 subiu 0,22%, aos 10.466 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 1,15%, aos 24.888 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,37%, aos 8.115 pontos. Já em Milão, o FTSE MIB teve alta de 0,70%, aos 49.510 pontos.

Na Ásia, as bolsas da China e de outros mercados asiáticos fecharam em alta nesta sexta-feira, recuperando parte das perdas do dia anterior.

Mesmo assim, as ações chinesas acumularam a segunda semana seguida de queda, pressionadas pela realização de lucros em empresas de tecnologia após a forte alta impulsionada pela inteligência artificial (IA).

Na China, o índice de Xangai subiu 0,87%. Já o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, avançou 1,3%, aos 4.845 pontos, embora ainda tenha fechado a semana em queda de 0,3%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,86%, aos 25.606 pontos, puxado pelas ações de tecnologia. A Lenovo disparou 20% e atingiu o maior valor em 26 anos.

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters

Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters