EUA bombardeiam alvos no Irã pelo terceiro dia seguido
Trump diz que EUA vão controlar o Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre carga de embarcações
Os EUA confirmaram nesta segunda-feira (13) que voltaram a atacar alvos no Irã pelo terceiro dia seguido.
Mais cedo, a mídia estatal do Irã havia informado que ao menos quatro explosões foram ouvidas na cidade portuária de Bandar Abbas e em Konarak.
“Às 16h45 ET de hoje (17h45 no horário de Brasília), o Comando Central dos EUA iniciou o lançamento da terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã, sob a direção do Comandante em Chefe. Esses ataques continuarão impondo um custo elevado às forças iranianas e degradando sua capacidade de atacar civis inocentes e o transporte comercial no Estreito de Ormuz”, disseram as Forças Armadas dos EUA na rede social X.
Bandar Abbas tem sido alvo frequente de ataques dos Estados Unidos nos últimos dias. A cidade abriga um porto e fica na região do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
A agência Tasnim informou que sistemas de defesa aérea foram acionados em Bandar Abbas, o que sugere que um novo ataque esteja em andamento. Até a publicação desta reportagem, nenhum país havia se manifestado sobre o caso.
A mais de 600 km dali, a cidade de Konarak, às margens do Golfo de Omã, também foi alvo de ataques, segundo a agência estatal IRNA. A agência afirmou que quatro mísseis atingiram áreas nos arredores da cidade e que aeronaves americanas sobrevoavam a região.
Ao mesmo tempo, a Tasnim informou que várias embarcações classificadas como “infratoras” pelo Irã foram atacadas no Estreito de Ormuz. Outros detalhes não foram divulgados.
Em publicação na Truth Social, Trump disse que os EUA cobrarão uma taxa equivalente a 20% do valor de toda carga que passar pela rota, como uma espécie de compensação pela segurança que será garantida por militares americanos.
Segundo o presidente, os EUA também retomarão o bloqueio naval ao Irã a partir da noite de terça-feira (14).
Irã rebate Trump
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/l/n/9RoUo5TtSi0dgPAh11qg/2026-07-13t092001z-835446081-rc2tcmavf1y0-rtrmadp-3-iran-crisis.jpg)
Pessoas caminham perto de um mural anti-EUA em Teerã, Irã , 13 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Pessoas caminham perto de um mural anti-EUA em Teerã, Irã , 13 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
As declarações de Trump foram rebatidas pelo comando militar do Irã, que afirmou que “não permitirá que os EUA intervenham na administração” do Estreito de Ormuz.
“Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem autorização iraniana será fortemente contestada”, afirma o comunicado.
O Irã também faz um alerta aos países vizinhos: “Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã”.
Já a Guarda Revolucionária do Irã afirmou manter a “autoridade e o controle sobre o Estreito de Ormuz” e fez ameaças.
“Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás”, afirmou o porta-voz.
Situação de Ormuz
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/w/k/y8IpudRvKoOKdAPcMbTg/2026-06-16t063537z-1040433787-rc2pula82x3j-rtrmadp-3-iran-crisis-oman-hormuz.jpg)
Navios são vistos no Estreito de Ormuz, em Musandam, em Omã, no dia 16 de junho de 2026 — Foto: Reuters
Navios são vistos no Estreito de Ormuz, em Musandam, em Omã, no dia 16 de junho de 2026 — Foto: Reuters
“O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar”, disse em comunicado.
O anúncio foi feito por Teerã depois de os EUA informarem ter atacado 140 alvos militares iranianos em 24 horas, totalizando mais de 300 durante três noites de ofensiva.
Segundo comunicado do Comando Central dos EUA, o objetivo da operação era retaliar ataques iranianos contra embarcações. Os EUA também negam que Ormuz esteja fechado.
Já a Guarda Revolucionária confirmou ter disparado tiros de advertência contra navios comerciais e justificou a operação.
“Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida”, declarou a Guarda Revolucionária.



