Formalização bate recorde, mas 65% dos empregadores e autônomos ainda não têm CNPJ, diz IBGE

O autônomo pode exercer atividade por conta própria, sem relação de trabalho com empresas. — Foto: Reprodução/Unsplash

O autônomo pode exercer atividade por conta própria, sem relação de trabalho com empresas. — Foto: Reprodução/Unsplash

A formalização entre empregadores e trabalhadores por conta própria atingiu recorde em 2025: 35% tinham empreendimento registrado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ante 24% em 2012, primeiro ano da série histórica.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23).

O avanço foi puxado principalmente pelos trabalhadores por conta própria. Nesse grupo, a cobertura de CNPJ passou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, o maior percentual da série histórica.

O levantamento mostra ainda que, pela primeira vez, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo possuía CNPJ.

Agora no g1

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Entre os empregadores, a taxa de formalização também cresceu, passando de 75,6% para 81,1% no mesmo período. Os dados revelam diferenças importantes por sexo, região, atividade econômica e nível de instrução. (veja os comparativos abaixo)

  • ➡️ Os comparativos históricos desconsideram 2020 e 2021, já que a pandemia de Covid-19 comprometeu a coleta e a divulgação dos dados nesses anos.

Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ — Foto: Arte g1

Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ — Foto: Arte g1

Mulheres têm maior cobertura de CNPJ que homens

Em 2025, 36,7% das mulheres ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria tinham CNPJ, contra 34,2% dos homens.

A diferença de 2,5 pontos percentuais aumentou em relação ao início da série. Em 2012, 24,4% das mulheres e 23,8% dos homens tinham empreendimento registrado, diferença de 0,6 ponto percentual.

A maior distância entre os sexos foi registrada em 2022, quando a cobertura chegou a 36,1% entre as mulheres e 33,1% entre os homens, diferença de 3 pontos percentuais.

Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ por sexo — Foto: Arte g1

Trabalhadores por conta própria e empregadores com CNPJ por sexo — Foto: Arte g1

Sul tem maior proporção de trabalhadores com CNPJ

A cobertura de CNPJ também varia entre as regiões do país. Em 2025, o Sul apresentou a maior taxa, de 46,7%, seguido por Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 41,6%. No Brasil, o percentual foi de 35%. As menores taxas foram registradas no Nordeste (20,1%) e no Norte (15,6%).

O Centro-Oeste teve o maior crescimento desde 2012: a proporção passou de 27,3% para 41,6%, alta de 14,3 pontos percentuais. No Sudeste e no Sul, o avanço foi de 11,2 pontos; no Nordeste, de 8,3 pontos; e no Norte, de 3,6 pontos.

  • ➡️Brasil: de 24,0% para 35,0% (+11,0 p.p.)
  • ➡️Centro-Oeste: de 27,3% para 41,6% (+14,3 p.p.), maior crescimento do período
  • ➡️Sul: de 35,5% para 46,7% (+11,2 p.p.), maior proporção do país em 2025
  • ➡️Sudeste: de 30,4% para 41,6% (+11,2 p.p.)
  • ➡️Nordeste: de 11,8% para 20,1% (+8,3 p.p.)
  • ➡️Norte: de 12,0% para 15,6% (+3,6 p.p.)

Comércio e serviços têm maiores taxas

Entre os trabalhadores por conta própria, a maior cobertura de CNPJ em 2025 foi registrada no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, com 36,7%.

Na sequência aparecem os serviços (33,5%), a indústria geral (22,8%) e a construção (14,8%). A menor taxa foi registrada na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 6,5%.

A construção apresentou um dos maiores avanços no período. A proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ passou de 3,9% em 2012 para 14,8% em 2025, alta de 10,9 pontos percentuais.

Trabalhadores por conta própria com CNPJ, por atividade (%)

Atividade2012 (%)2016 (%)2019 (%)2024 (%)2025 (%)
Total1518,820,225,727,1
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura4,34,17,17,26,5
Indústria geral13,817,118,123,422,8
Construção3,97,41015,214,8
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas25,828,328,733,236,7
Serviços21,426,825,131,533,5

Entre os empregadores, o comércio também apresentou a maior cobertura, de 88,2%, seguido por serviços (86,4%) e indústria (84,3%). Na construção, a taxa foi de 58,2%.

A agricultura teve novamente a menor proporção, com 32,7% dos empregadores registrados no CNPJ.

A construção foi o segmento que mais avançou entre os empregadores: passou de 36,4% em 2012 para 58,2% em 2025, alta de 21,8 pontos percentuais.

Empregadores com CNPJ, por atividade (%)

Atividade2012 (%)2016 (%)2019 (%)2024 (%)2025 (%)
Total75,682,180,58081,1
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura28,135,53532,132,7
Indústria geral80,788,983,183,484,3
Construção36,457,85455,758,2
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas88,989,589,788,988,2
Serviços80,985,884,784,586,4

Ensino superior impulsiona formalização entre autônomos

A cobertura também aumenta conforme o nível de instrução. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinham CNPJ, o maior percentual da série histórica e a primeira vez em que a taxa ultrapassou 50%.

Entre aqueles com ensino médio completo e superior incompleto, a proporção foi de 29,7%. Já entre os que tinham ensino fundamental completo e médio incompleto, ficou em 18,6%.

A menor taxa foi registrada entre trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto: 11,1%. A diferença entre os grupos de maior e menor escolaridade chegou a 39,7 pontos percentuais.

O crescimento também foi maior entre os trabalhadores com ensino superior. Em 2012, 42,5% desse grupo tinha CNPJ. Em 2025, eram 50,8%, avanço de 8,3 pontos percentuais.

Veja abaixo a evolução da formalização entre trabalhadores por conta própria, por escolaridade (2012-2025):

  • 🎓 Superior completo: de 42,5% para 50,8% (+8,3 p.p.), maior crescimento entre os níveis de instrução.
  • 📚 Ensino médio completo e superior incompleto: de 23,3% para 29,7% (+6,4 p.p.).
  • 🎒 Ensino fundamental completo e médio incompleto: de 13,2% para 18,6% (+5,4 p.p.).
  • ➡️ Sem instrução e fundamental incompleto: de 7,2% para 11,1% (+3,9 p.p.).

Trabalhadores por conta própria com CNPJ, por escolaridade (%)

Nível de instrução2012 (%)2019 (%)2022 (%)2024 (%)2025 (%)
Total1520,226,225,727,1
Sem instrução e fundamental incompleto7,29,912,91111,1
Ensino fundamental completo e médio incompleto13,215,819,518,918,6
Ensino médio completo e superior incompleto23,324,830,82929,7
Superior completo42,542,349,348,450,8

Entre os empregadores, o padrão também aparece. Em 2025, 91,8% daqueles com ensino superior completo tinham CNPJ, contra 81,8% entre os que tinham ensino médio completo e superior incompleto.

A taxa foi de 70,7% entre empregadores com ensino fundamental completo e médio incompleto e de 52,7% entre aqueles sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

Empregadores com CNPJ, por escolaridade (%)

Nível de instrução2012 (%)2019 (%)2022 (%)2024 (%)2025 (%)
Total75,680,580,88081,1
Sem instrução e fundamental incompleto49,45656,851,952,7
Ensino fundamental completo e médio incompleto69,175,773,369,270,7
Ensino médio completo e superior incompleto80,583,182,481,981,8
Superior completo90,590,490,890,291,8

Segundo William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, a relação entre escolaridade e registro no CNPJ está ligada ao próprio processo de estruturação dos negócios.

“Quanto maior o nível de instrução, mais preparada a pessoa está para o mercado e mais ela entende as vantagens e as dificuldades de ter ou não ter um registro. Isso pode facilitar as operações, a compreensão dos custos, a precificação e o funcionamento do negócio.”

Para ele, a baixa cobertura entre trabalhadores por conta própria também reflete o perfil de parte desse grupo, formado por pessoas que estão começando um empreendimento ou que passaram a trabalhar por conta própria após perder uma ocupação.

“À medida que essas pessoas adquirem conhecimento e o negócio se estrutura, elas podem passar da condição de conta própria para a de empregador, contratando outras pessoas e mudando de patamar”, afirma.

Kratochwill ressalta que, apesar do avanço, a proporção de trabalhadores por conta própria com CNPJ ainda é baixa.

“É óbvio que 27,1% é um valor baixo. O que se espera são valores bastante elevados, porque há uma série de benefícios e contribuições para a economia que o registro pode trazer.”

O pesquisador também afirma que a PNAD Contínua não permite identificar se o avanço dos registros está relacionado ao fenômeno da pejotização.

Na PNAD ainda não temos informações sobre pejotização que possam dar subsídio para uma afirmação desse tipo. É possível que o registro seja uma forma utilizada pelas empresas para reduzir custos, mas não temos elementos, nesta pesquisa, para afirmar que isso está acontecendo.
— William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE

Os dados do IBGE mostram que o crescimento da cobertura de CNPJ foi mais expressivo entre os trabalhadores por conta própria.

Nesse grupo, a taxa aumentou 12,1 pontos percentuais, de 15% em 2012 para 27,1% em 2025. Ainda assim, 72,9% dos trabalhadores por conta própria não tinham CNPJ no ano passado.

Entre os empregadores, a cobertura já era elevada no início da série e avançou 5,5 pontos percentuais, passando de 75,6% para 81,1%.

Empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ (%) — Foto: Arte g1

Empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ (%) — Foto: Arte g1

Os números mostram que o registro no CNPJ se tornou mais comum entre diferentes grupos de trabalhadores ao longo dos últimos 13 anos, mas permanece desigual conforme a região, a atividade econômica, o sexo e o nível de escolaridade.

A pesquisa mostra, portanto, um avanço do registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria e empregadores, mas também revela que a cobertura ainda é bastante desigual entre os diferentes perfis de trabalhadores.

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