Governo Netanyahu chama críticos de ‘papagaios’ e acusa ONU de ‘viés sistemático’ contra Israel; VÍDEO

Propaganda de Israel mostra críticos como 'papagaios' na Assembleia Geral da ONU

Propaganda de Israel mostra críticos como ‘papagaios’ na Assembleia Geral da ONU

Às vésperas do discurso do premiê na Assembleia Geral da ONU, o governo Netanyahu chamou os críticos de Israel de “papagaios” e acusou o órgão multilateral de adotar um “viés sistemático” contra Israel.

Em resposta a líderes de Estado que já criticaram Israel na Assembleia Geral da ONU deste ano e como ação preventiva aos desafetos que ainda vão subir ao púlpito, o governo Netanyahu divulgou um vídeo feito com IA de papagaios no plenário da assembleia repetindo “culpe Israel” (leia mais abaixo).

Além disso, o governo israelense também divulgou um site para expor o que chamou de “mentiras” e “viés sistemático” das agências da ONU contra o país durante a guerra em Gaza —travada entre Israel e o grupo terrorista Hamas entre 2023 e 2025 e que destruiu o território palestino e deixou mais de 70 mil mortos.

Propaganda de Israel chamando críticos de 'papagaios' (à esquerda) e site acusando agências da ONU de adotar 'viés sistemático' contra o país durante a guerra em Gaza. — Foto: Divulgação/governo de Israel

Propaganda de Israel chamando críticos de ‘papagaios’ (à esquerda) e site acusando agências da ONU de adotar ‘viés sistemático’ contra o país durante a guerra em Gaza. — Foto: Divulgação/governo de Israel

As acusações contra Israel de realizar genocídio e de causar um cenário de fome generalizada em Gaza foram feitas, respectivamente, por uma comissão especialista contratada pela ONU composta por juristas e investigadores e pelo IPC, maior autoridade alimentar do mundo e ligada ao órgão internacional. Israel nega as acusações.

Entre os líderes que teceram críticas a Israel durante seus discursos na Assembleia Geral na terça-feira estão o presidente Lula, o presidente da França, Emmanuel Macron, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o rei jordaniano Abdullah II.

  • Lula voltou a dizer que Israel praticou genocídio em Gaza. O governo Netanyahu não havia respondido até o momento;
  • Macron criticou as situações humanitárias em Gaza e na Cisjordânia. O governo Netanyahu chamou as declarações de “grotescas e estarrecedoras”;
  • Guterres disse que a escala das mortes em Gaza não se compara a nada que ele viu em seu tempo à frente da ONU. Israel o acusou de perseguição;
  • Abdullah pediu o respeito da lei internacional na Cisjordânia. Israel respondeu dizendo que o rei jordaniano não tem autoridade para falar sobre o tema.

Netanyahu afirmou que em seu discurso na Assembleia Geral da ONU na quinta (24) ele vai “dizer a verdade” sobre as tropas israelenses e sobre o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a quem acusou de apoiar o Hamas e incitar ódio contra judeus residentes da cidade norte-americana. Ele não deu mais detalhes, porém seus discursos costumam ser marcantes.

O premiê viajará nas próximas horas aos EUA. Mamdani tentou viabilizar nos últimos meses a prisão de Netanyahu quando ele viesse a Nova York para cumprir um mandado emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. Apesar de ter sido contrariado pelo governo Trump, Mamdani voltou a chamar o líder israelense de “criminoso de guerra”.

LEIA TAMBÉM:

Agora no g1

Agora no g1

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. — Foto: Ronen Zvulun/Reuters/Arquivo/Andres Kudacki/AP

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. — Foto: Ronen Zvulun/Reuters/Arquivo/Andres Kudacki/AP