Hantavírus: repatriação de passageiros do navio cruzeiro vai até segunda
Passageiros começam a sair de navio com surto de hantavírus
Vestidos com trajes de proteção azuis, os passageiros deixavam o navio em pequenos grupos e eram levados de lancha até o porto, segundo a agência France Presse.
“Se tudo continuar conforme o previsto, e tenho certeza de que será assim, às 19h” (15h em Brasília) de segunda-feira (11) “o navio partirá rumo aos Países Baixos”, sua base, apenas com parte da tripulação, disse à RTVE a diretora da Proteção Civil da Espanha, Virginia Barcones.
Até as 13h GMT (10h em Brasília), os aviões com passageiros espanhóis e franceses já haviam partido, e a operação seguiria ao longo da tarde.
Os primeiros a deixar o navio foram os 14 espanhóis, por volta das 8h30 GMT (5h30 em Brasília). Eles seguiram para o aeroporto de Tenerife Sul, a cerca de 10 minutos do porto, em ônibus vermelhos da Unidade Militar de Emergência (UME). A área do motorista era isolada dos passageiros por uma barreira de proteção.
Ao chegarem ao aeroporto, os espanhóis trocaram os trajes de proteção e passaram por desinfecção antes de embarcar para Madri. Na capital espanhola, eles ficarão em quarentena em um hospital militar.
O mesmo procedimento será realizado com os demais passageiros e tripulantes de outras nacionalidades.
Neste domingo, estão previstos voos para os Países Baixos, Canadá, Turquia, França, Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos, informou a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García.
O último voo, com destino à Austrália, deve partir na segunda-feira, acrescentou a ministra, que acompanha a operação ao lado de outros integrantes do governo espanhol e do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Passageiros assintomáticos
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Passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, aguardam na pista do aeroporto de Tenerife Sul, em Tenerife, Espanha — Foto: Reuters
Passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, aguardam na pista do aeroporto de Tenerife Sul, em Tenerife, Espanha — Foto: Reuters
“A operação começou e está indo muito bem. Agradecemos também a coordenação da Espanha, e a União Europeia também está presente”, afirmou Ghebreyesus.
Antes do início da evacuação, equipes médicas embarcaram no cruzeiro — que chegou a Tenerife durante a madrugada — para avaliar os passageiros, que seguem sem sintomas, segundo García.
No porto de Tenerife, era possível ver a estrutura montada para a operação, com tendas da Guarda Civil e ônibus vermelhos da UME para transportar os passageiros até o aeroporto. O navio partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina.
O governo espanhol afirmou que a operação conta com “todas as garantias de saúde pública”.
Na véspera, o chefe da OMS reforçou: “Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”.
O último balanço da OMS aponta seis casos confirmados entre oito suspeitos. Entre as vítimas estão um casal holandês e uma passageira alemã. O hantavírus é uma doença rara e ainda não tem vacina nem tratamento específico.
Papa agradece às Ilhas Canárias
O navio segue ancorado no porto de Granadilla, sem atracar diretamente no cais, por decisão das autoridades regionais das Canárias, que demonstraram resistência à operação.
“O mundo nos observa novamente. E novamente a Espanha, como em muitas outras crises, responderá à altura do que é este grande país, com exemplaridade e eficácia”, afirmou neste domingo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante um evento do Partido Socialista na Andaluzia.
“Agradeço às Canárias por permitirem que o cruzeiro Hondius (…) atracasse”, disse o papa Leão XIV na Praça de São Pedro. O pontífice visitará o arquipélago em abril, durante uma viagem à Espanha.


