‘Holanda B’? Apenas um jogador de Curaçao, estreante da Copa, não nasceu no país europeu; entenda

Seleção de Curaçao — Foto: Reprodução

Seleção de Curaçao — Foto: Reprodução

A seleção de Curaçao, o menor país da Copa do Mundo de futebol de 2026, chamou atenção por um detalhe curioso em seu elenco: entre os 26 jogadores, apenas um deles nasceu na ilha caribenha e o restante, na Holanda.

Essa estatística faz com que o país seja disparado o que mais tem jogadores nascidos fora de seu território nesta Copa.

Curiosamente, o “craque” do time é o único que nasceu em Curaçao: o atacante Tahith Chong, natural da capital Willemstad. Mesmo assim, tal qual seus outros 25 companheiros, Chong também teve sua formação no futebol europeu. Seria, então, a seleção de Curaçao uma “Holanda B”?

Essa realidade levou o meiocampista Livano Comenencia, outro dos craques do país, a garantir que o país pode ser uma surpresa desta Copa:

“Fomos formados jogando à maneira holandesa e temos muita qualidade e excelente técnica. Vamos surpreender muita gente”, afirmou em entrevista à Fifa.

Agora no g1

Agora no g1

Holanda e Curaçao: ligadas pela História

A peculiaridade do elenco curaçauense pode ser explicada pela História. O país caribenho, que tem apenas 160 mil habitantes, foi colônia holandesa durante quase 400 anos, entre os séculos XVII e XXI, e até hoje integra o Reino dos Países Baixos —que inclui a Holanda e as ilhas de Aruba, Curaçao e São Martinho, todas no Caribe.

Resort Mangrove Beach Corendon, em Curaçao — Foto: Reprodução

Resort Mangrove Beach Corendon, em Curaçao — Foto: Reprodução

Além disso, todas as pessoas que nascem em Curaçao ganham passaporte holandês. Mesmo assim, o fato de 25 dos jogadores curaçauenses terem nascido em diferentes cidades holandesas indica que um movimento migratório rumo ao ex-colonizador ocorre desde o fim do mercantilismo e da lógica de colônias.

O caminho de retorno desses jogadores rumo à seleção de Curaçao, no entanto, pode ter variado, porque no futebol há uma série de razões —além da ancestralidade— pelas quais um atleta pode escolher representar uma seleção que não a de seu país de nascimento:

  • vínculo maior com outro país, por conta dos pais ou avós;
  • vontade de jogar uma Copa do Mundo, visto que pela seleção holandesa, no caso, a competição é muito acirrada;
  • jogo de cintura entre as federações de futebol, para captar esses jogadores com alguma ligação com o país e, assim, expandir seu potencial esportivo.

Vista de Willemstad, em Curaçao — Foto: Karina Trevizan/G1

Vista de Willemstad, em Curaçao — Foto: Karina Trevizan/G1