Ibovespa passa a cair, com pós-eleições e à espera do Fed; dólar recua a R$ 5,30
Bolsa cai e dólar sobe após vitória de Lula; economista explica reação do mercado
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, oscila nesta terça-feira (27). Perto das 15h30, registrava queda de 0,44%, aos 175.833 pontos. Já o dólar caía 1,23% no mesmo horário, cotado a R$ 5,3362. Na mínima do dia, alcançou R$ 5,3080.
O resultado das eleições presidenciais no Brasil continua influenciando os mercados nesta terça-feira, enquanto investidores e empresários cobram do governo novos sinais de ajuste fiscal.
No exterior, o foco está na decisão sobre os juros nos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (28). As eleições em Israel e os preços do petróleo também estão no radar.
▶️ A reeleição de Lula (PT) levou investidores a rever suas expectativas para os juros, o dólar, a bolsa e as contas públicas. Em meio às preocupações com a dívida pública, investidores e empresários cobram medidas mais fortes de ajuste fiscal.
O temor é que as condições financeiras piorem, com crédito mais caro e a possibilidade de uma nova alta da Selic, caso a valorização do dólar pressione a inflação.
▶️ No exterior, as atenções estão voltadas para a próxima decisão sobre os juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), prevista para esta quarta-feira (28). Segundo dados do CME Group, a maioria dos investidores espera que a instituição mantenha as taxas inalteradas. O mercado também acompanha possíveis novas declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh.
▶️ No Oriente Médio, as eleições em Israel estão no centro das atenções. É a primeira vez que o país vai às urnas desde a guerra em Gaza. A disputa pode definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que tenta se manter no poder e dar continuidade à sua política militar. Saiba mais.
▶️ No mercado de commodities, os preços do petróleo continuam elevados, em meio às preocupações com novos ataques dos houthis ao território da Arábia Saudita. Perto das 15h30, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,55%, cotado a US$ 114,01. Já o WTI, referência nos EUA, recuava 1,62%, a US$ 100,11 por barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -8,21%;
- Acumulado do mês: -4,41%;
- Acumulado do ano: -1,57%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -0,17%
- Acumulado do mês: +10,06%;
- Acumulado do ano: +27,28%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno, a reeleição de Lula surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre os juros, o dólar, a bolsa e as contas públicas.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Apesar da reação negativa, especialistas avaliam que o governo ainda pode adotar medidas para recuperar a confiança dos investidores.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
- Risco de disputa na Justiça
Alguns analistas avaliam que o resultado eleitoral não será o único fator a provocar oscilações nos mercados financeiros.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, devido a problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, também pode gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado da eleição e afirmou que pedirá a anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
Bolsas globais
Em Wall Street, os principais índices acionários operavam em alta nesta terça-feira, em meio à expectativa pela decisão de juros do Fed e conforme investidores avaliavam uma série de resultados corporativos importantes.
Perto das 15h30, o Dow Jones subia 0,02%, enquanto o S&P 500 avançava 0,61% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 1,15%.
Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta, em meio à queda nos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,49%. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, subiu 0,71%, enquanto o CAC-40, da França, avançou 0,51%. O FTSE 100, do Reino Unido, foi na contramão do mercado e caiu 0,75%.
Na Ásia, as ações chinesas perderam os ganhos registrados no início do pregão e fecharam na menor cotação em 14 meses, acompanhando a queda dos papéis do setor de tecnologia.
O SSEC, Índice de Xangai, e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, recuaram 1,3% na sessão. No Japão, o Nikkei subiu 1,73% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 0,73%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
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