Justiça dos EUA autoriza prisão de ex-chefe do FBI por post com suposta ameaça a Trump nas redes
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/a/o/KHdbx2QXKTLRKYq2gplQ/ap26118641283472.jpg)
O ex-diretor do FBI James Comey fala com jornalistas no Capitólio, em Washington, D.C., em 17 de dezembro de 2018. — Foto: AP Photo/J. Scott Applewhite, arquivo
O ex-diretor do FBI James Comey fala com jornalistas no Capitólio, em Washington, D.C., em 17 de dezembro de 2018. — Foto: AP Photo/J. Scott Applewhite, arquivo
A Justiça dos Estados Unidos emitiu nesta terça-feira (28) um mandado de prisão contra o ex-diretor do FBI James Comey. As informações são do jornal “The New York Times”. Ele é acusado de ameaçar o presidente Donald Trump em um post nas redes sociais.
A publicação foi feita em maio do ano passado. No Instagram, Comey divulgou uma imagem com conchas organizadas na areia formando os números 86 e 47. Segundo o Departamento de Justiça, a imagem poderia ser interpretada como uma ameaça a Trump.
- De acordo com o dicionário Merriam-Webster, o número “86” é uma gíria que pode significar “dispensar”, “descartar” ou “recusar atendimento”. Em usos mais recentes, ainda pouco comuns, o termo também pode ser associado a “matar”.
- O número 47 seria uma referência ao fato de Trump ser o 47º presidente dos Estados Unidos.
Após a imagem provocar polêmica, Comey apagou a postagem e afirmou: “Não percebi que algumas pessoas associam esses números à violência” e “sou contra qualquer tipo de violência, por isso removi a publicação”.
Ele disse ainda que interpretou a disposição das conchas como uma mensagem política, e não como incentivo à violência.
Em entrevista à Fox News em maio do ano passado, Trump afirmou que Comey sabia o significado da mensagem. “Até uma criança entende o que isso quer dizer. Se você é diretor do FBI e não sabe, isso significa assassinato — e está muito claro”, disse.
Vídeos em alta no g1
Segundo a Associated Press, as acusações formais contra Comey são de ameaça à vida do presidente e de ameaça interestadual. Já o NYT afirmou que registros judiciais mostram que um mandado de prisão foi emitido, mas ainda não está claro se o ex-diretor do FBI poderá se entregar voluntariamente.
A abertura de um novo processo, meses após o arquivamento de uma acusação anterior, deve reforçar o argumento da defesa de que o governo Trump estaria mirando Comey de forma deliberada.
Em um vídeo divulgado após o indiciamento, o ex-diretor do FBI disse que é inocente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/c/x/XCH1iDT8SVLAXor1vkxg/108146730-1747404568015-image001.webp)
Instagram de James Comey, ex-diretor do FBI — Foto: Reprodução/Instagram
Instagram de James Comey, ex-diretor do FBI — Foto: Reprodução/Instagram
A relação de Comey e Trump
Comey assumiu o comando do FBI em 2017, indicado pelo então presidente Barack Obama, e já havia ocupado cargos de destaque no Departamento de Justiça durante o governo de George W. Bush.
A relação com Trump, porém, foi tensa desde o início. Segundo relatos, Comey se recusou a prometer lealdade pessoal ao presidente durante um jantar privado — episódio que o levou a registrar o encontro em um memorando.
Trump demitiu Comey em maio de 2017, em meio à investigação do FBI sobre possíveis conexões entre sua campanha e a Rússia. O inquérito foi posteriormente conduzido pelo procurador especial Robert Mueller, que concluiu que houve interferência russa na eleição, mas não encontrou provas suficientes de conluio criminoso.
O Departamento de Justiça também investiga o ex-diretor da CIA John Brennan, outro nome central nas apurações sobre a Rússia e frequentemente criticado por Trump.



