Morre, aos 84 anos, o general Ratko Mladic, o ‘açogueiro da Bósnia’ que comandou genocídio
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/j/v/Of2xHiRAAANKF8hL6C6w/2021-06-08t135649z-1408513184-rc2cwn9h77s5-rtrmadp-3-bosnia-warcrimes-mladic.jpg)
Ratko Mladic durante a audiência em que teve seu recurso rejeitado em Haia, na Holanda — Foto: Reuters/Jerry Lampen
Ratko Mladic durante a audiência em que teve seu recurso rejeitado em Haia, na Holanda — Foto: Reuters/Jerry Lampen
O general sérvio-bósnio Ratko Mladic, acusado de comandar um dos maiores genocídios da Europa após a 2ª Guerra Mundial, morreu nesta quinta-feira (27) aos 84 anos.
A morte foi anunciada pela imprensa sérvia e confirmada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O general morreu no centro de detenção da ONU, em Haia, na Holanda, após sofrer um AVC.
➡️ Mladic foi apelidaddo de “açogueiro da Bósnia” por seu papel central em matanças durante a sangrenta guerra na Bósnia, entre 1992 e 1995. Ele foi acusado de estar por trás do cerco a Sarajevo e da morte de mais de 8.000 muçulmanos na cidade de Srebrenica, em 1995, em uma suposta campanha de limpeza étnica que foi também o pior massacre na Europa após a 2ª Guerra Mundial.
Veja, abaixo, a reação de Mladic ao ser condenado pelo TPI, em 2017, durante sessão judicial em Haia, na Holanda:
Ratko Mladic é condenado à prisão perpétua por genocídio durante a guerra da Bósnia
Sarajevo e Srebrenica
A matança em Srebrenica, que Mladic foi acusado de comandar, foi o desfecho da guerra da Bósnia, um conflito entre três grupos étnicos do país que eclodiu após o fim da União Soviética, no início da década de 1990.
O cerco à cidade de Sarajevo e o massacre em Srebrenica foram os dois principais episódios do conflito.
👉 Em Sarajevo, segundo a sentença do TPI, o general bombardeava e metrelhava diariamente a cidade sitiada, com artilharia, tanques, morteiros e metralhadoras pesadas de seu exército nacionalista sérvio. Cerca de 10.000 pessoas morreram.
👉 Já em Srebrenica, o alvo foram os muçulmanos, segundo o TPI, era promover uma “limpeza étnica” — a expulsão forçada do país de muçulmanos bósnios, croatas e outros não sérvios para liberar terras bósnias para o que “Grande Sérvia”.
Os mortos em Srebrenica foram empurrados por tratores para valas comuns ao longo de quatro dias, em julho de 1995. Ainda de acordo com a acusação do julgamento no TPI, alguns corpos chegaram a ser posteriormente desenterrados e transferidos para áreas montanhosas remotas para ocultar as evidências dos assassinatos.
/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2012/07/11/1_13.jpg)
Muçulmanas choram durante funeral em Srebrenica. — Foto: AFP
Muçulmanas choram durante funeral em Srebrenica. — Foto: AFP
O tribunal concluiu que Mladic, juntamente com o falecido presidente sérvio Slobodan Milosevic e o líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic, integravam uma conspiração criminosa para executar esse plano.
Ao ser condenado à prisão perpétua em 2017, ele gritou: “Tudo isso é mentira, vocês são todos mentirosos!”
Agora no g1


