No 1º saldo positivo do ano, estatais federais têm superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto
O Banco Central informou nesta quarta-feira (30) que as empresas estatais federais registraram um superávit de R$ 1,76 bilhões em agosto deste ano.
➡️Esse foi o primeiro saldo positivo das empresas estatais federais neste ano. Seu último superávit havia sido registrado em dezembro do ano passado (R$ 1,16 bilhão).
➡️Esse também foi o maior superávit das estatais federais para meses de agosto desde o início da série histórica do BC, em dezembro de 2001. Até então, o maior resultado havia ocorrido em 2023 (+R$ 1,39 bilhão).
- 🔎O termo “superávit” significa que a receita dessas empresas foi maior que o gasto que elas conseguiram gerar no período.
- 🔎Cabe ao Banco Central registrar e divulgar os dados. A responsabilidade pelos resultados das estatais federais, no entanto, não é da autoridade monetária.
- 🔎O desempenho das empresas estatais federais é de competência do governo federal — que administra as empresas.
Agora no g1
➡️O g1 entrou em contato com o Ministério da Gestão e questionou o que motivou o superávit das estatais federais em agosto deste ano, se alguma medida foi tomada e se o resultado é sustentável ou pontual. Até a última atualização desta reportagem, o governo informou que ainda enviaria resposta.
Como é feita a conta
Entram nesse cálculo do Banco Central empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
➡️Na contabilidade, a instituição não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).
O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por “acima da linha” (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/a/G/tFk5h7RlGIUkJSKpzlZQ/djavan-barbosa-7634.jpg)
Sede dos Correios em Palmas, Tocantins — Foto: Djavan Barbosa/TV Anhanguera
Sede dos Correios em Palmas, Tocantins — Foto: Djavan Barbosa/TV Anhanguera
Déficit no acumulado do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, entretanto, as empresas estatais federais ainda mantém um resultado negativo. Na parcial de 2026, o rombo somou R$ 6,51 bilhões, segundo dados do Banco Central.
➡️O resultado, que é recorde na parcial deste ano, fica próximo do maior rombo já contabilizado para um ano fechado (-R$ 6,73 bilhões em 2024).
➡️No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril deste ano, o governo federal admite que as empresas estatais federais, em déficit desde 2023, continuarão no vermelho até 2030.
“Essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal”, acrescentou o órgão, por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal.
“Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026”, diz o governo, no projeto da LDO de 2027.
Lula admite que Correios ‘não se adaptou’, mas nega possibilidade de privatização


