Papa Leão visita antiga cidade romana na Argélia e planta oliveira
Papa Leão visita antiga cidade romana de Hipona, na Argélia
O papa Leão XIV seguiu, nesta terça-feira (14), os passos do influente teólogo cristão Santo Agostinho, que considera seu pai espiritual, no segundo dia de sua visita à Argélia.
Em Annaba, a antiga cidade romana de Hipona, Leão visitou os vestígios do passado histórico e um centro para idosos pobres administrado por freiras católicas.
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Papa Leão planta oliveira durante uma visita ao sítio arqueológico de Hipona, em Annaba, na Argélia — Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP
Papa Leão planta oliveira durante uma visita ao sítio arqueológico de Hipona, em Annaba, na Argélia — Foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP
O Papa percorreu o sítio arqueológico romano e plantou uma oliveira, enquanto um coro entoava cantos em latim, amazigh e árabe, inspirados em textos de Santo Agostinho sobre a paz e a fraternidade.
A cidade foi o lar de Agostinho, cujas “Confissões” são uma obra fundamental da tradição cristã.
À tarde, Leão celebrou uma missa na Basílica de Santo Agostinho, com a presença de clérigos de toda a África. Em sua homilia pronunciada em francês, o papa instou os cristãos da Argélia a “dar testemunho do Evangelho, por meio de gestos simples, relações autênticas e um diálogo vivido no dia a dia”.
Na basílica, a irmã Rose-Marie de Tauzia, que vive em Argel há 20 anos, disse à AFP sentir-se “imensamente” feliz com a visita do papa, que veio para “anunciar a paz” em um momento “em que tudo é difícil” e “o mundo está em tensão”.
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Papa Leão XIV (à esquerda) reza durante uma visita ao sítio arqueológico de Hipona, em Annaba — Foto: AFP
Papa Leão XIV (à esquerda) reza durante uma visita ao sítio arqueológico de Hipona, em Annaba — Foto: AFP
Mais cedo, em seu primeiro discurso no país, Leão XIV homenageou vítimas da guerra de independência da França (1954-1962). Ele também instou as autoridades argelinas a “não temerem” uma maior participação pública na vida política e defendeu uma “sociedade civil vibrante, dinâmica e livre”.
Desde os protestos pró-democracia de 2019, que exigiam reformas profundas e maior transparência, grupos de direitos humanos têm denunciado a erosão das liberdades e o aumento do controle sobre os espaços públicos.
“As autoridades são chamadas não a dominar, mas a servir o povo e promover seu desenvolvimento”, declarou o papa.
Tensões durante a visita
‘Não tenho medo do governo Trump’, diz papa Leão XIV após críticas do presidente dos EUA
A visita, porém, foi marcada por tensões. Um duplo atentado suicida foi registrado na segunda-feira (13) na cidade de Blida, a cerca de 40 km de Argel, onde o papa se encontrava.
Segundo uma fonte ouvida pela AFP, dois homens-bomba se explodiram no local. Até o momento, não há informações sobre vítimas, e as autoridades não comentaram o caso.
Trump acusou Leão XIV de “brincar com um país [Irã] que quer uma arma nuclear”. “Não sou fã” do pontífice, disse ele a repórteres no domingo.
Os comentários aconteceram após o pontífice pedir um cessar-fogo no Líbano e defender posições contra a guerra.
Antes da viagem papal, Trump acusou Leão XIV de “brincar com um país [Irã] que quer uma arma nuclear”. “Não sou um grande fã” do pontífice, disse ele.
Apesar das críticas por seus comentários, Trump afirmou que “não há nada pelo que se desculpar” e que o papa “está errado”.
Em resposta, o papa declarou que não teme críticas e reafirmou o papel da Igreja.
“Não tenho medo, nem da administração Trump, nem de proclamar a mensagem do Evangelho em voz alta”, declarou o líder da Igreja Católica a bordo do avião papal.
“Acredito que a Igreja tem o dever moral de se manifestar claramente contra a guerra e a favor da paz e da reconciliação”, afirmou.
Na noite de segunda-feira, o vice-presidente americano, JD Vance, convertido ao catolicismo, pediu ao Vaticano que se ativesse a “questões morais” e “deixasse o presidente dos Estados Unidos se concentrar em definir a política americana”.
O papa partirá da Argélia na quarta-feira para continuar sua viagem por Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
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