Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária; Câmara decide seguir com impeachment
Presidente do Paraguai renuncia ao cargo; veja íntegra do comunicado
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária do país. O presidente paraguaio é acusado de ter sido conivente com a quebra do banco digital ueno, que bloqueou a conta de milhares de correntistas e do qual o presidente foi acionista.
Entenda abaixo os últimos acontecimento da crise:
- Na manhã desta quinta (5), o Congresso do Paraguai deu os primeiros passos para votar um impeachment contra Santiago Peña, e contra seu vice, Pedro Alliana;
- Horas depois, Peña apresentou uma carta de renúncia;
- A Câmara do Paraguai, no entanto, não aceitou a renúncia e decidiu dar seguimento do processo de impeachment contra Peña – a votação foi unânime;
- Já o processo de impeachment contra o vice, Pedro Alliana, foi rejeitado. A decisão abriu caminho para Alliana assumir a presidência do país.
A manobra, no entanto, foi frustrada quando a Câmara deu seguimento à abertura do impeachment. A Carta constitucional estabelece que o ex-presidente perde essa prerrogativa se tiver sido submetido a julgamento político e for considerado culpado.
Opositores advertiram que aceitar a renúncia permitiria a Peña ter uma blindagem parlamentar, impedindo que fosse julgado pela Justiça comum pelas suspeitas de crimes relacionados à crise do banco ueno.
👉 A Constituição paraguaia estabelece que é prerrogativa do Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República e a do vice-presidente.
O pedido de renúncia de Peña
Santiago Penã apresentou sua carta de renúncia em um vídeo, em que se desculpou com a população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.
“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse.
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Santiago Penã anuncia renúncia — Foto: Reprodução/X
Santiago Penã anuncia renúncia — Foto: Reprodução/X
O processo de impeachment
Nesta manhã, o Congresso do Paraguai havia iniciado uma sessão extraordinária para debater o pedido de impeachment, e todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram que votariam a favor do impeachment.
O processo do impeachment ganhou força após o Horário Cortes, atual presidente do Partido Colorado, sigla de Peña, retirar o apoio ao governo. Cortes é considerado o mentor de Peña. O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, do Partido Colorado, também havia retirado apoio.
Peña é aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrava o Escudo das Américas, grupo de presidentes de países da América Latinha ideologicamente alinhados a Trump. No entanto, Peña também tem boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado — Foto: REUTERS
Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado — Foto: REUTERS
Acusação
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Clientes do banco ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Clientes do banco ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes da apresentação do pedido.
A acusação foi apresentada por 35 deputados, que pediram ao presidente da Câmara a convocação da sessão extraordinária.
Penã foi acionista do grupo dono do banco
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Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Cesar Olmedo/ Reuters
Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Cesar Olmedo/ Reuters
👉 Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
Em uma publicação em suas redes sociais, o presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. A declaração foi feita pouco antes de que ele promulgasse uma lei que permitirá aos clientes do ueno recuperar seu dinheiro mais rapidamente.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Agora no g1
Executivos do ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça ordenou ainda o bloqueio dos bens dos acusados.
Nesta quarta-feira, também circularam relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, o que aumentou a preocupação com o sistema financeiro do país.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalhavam para atender ao grande volume de clientes que estavam transferindo suas contas do ueno. A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.
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Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP
Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP


