Saída dos Emirados Árabes da Opep e Opep+: o que são os grupos e como eles podem afetar seu bolso

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O anúncio foi confirmado pelo ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, que afirmou que a decisão foi tomada após uma revisão das estratégias energéticas dos Emirados Árabes na região.

Dada a importância da decisão para o setor energético, o g1 explica como funcionam esses grupos, que reúnem alguns dos maiores produtores do mundo, e por que suas decisões podem influenciar os preços ao redor do mundo — incluindo países como o Brasil.

O que você vai encontrar nesta reportagem:

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, conhecida como Opep, é um grupo criado em 1960 por países produtores com o objetivo de coordenar a produção de petróleo e influenciar os preços no mercado internacional.

Hoje, os integrantes da organização respondem por cerca de 30% da produção mundial de petróleo. Dentro do grupo, no entanto, há grandes diferenças no volume produzido por cada país.

Dados do último Boletim Estatístico Anual da Opep mostram como a produção de petróleo se distribui entre os países membros:

  1. Arábia Saudita: 8,96 milhões de barris/dia
  2. Iraque: 3,86 milhões de barris/dia
  3. Irã: 3,26 milhões de barris/dia
  4. Emirados Árabes Unidos: 2,92 milhões de barris/dia
  5. Kuwait: 2,41 milhões de barris/dia
  6. Nigéria: 1,35 milhão de barris/dia
  7. Líbia: 1,14 milhão de barris/dia
  8. Venezuela: 921 mil barris/dia
  9. Argélia: 907 mil barris/dia
  10. Congo: 260 mil barris/dia
  11. Gabão: 224 mil barris/dia
  12. Guiné Equatorial: 57 mil barris/dia

Em 2016, diante de um período de preços baixos do petróleo, a Opep ampliou essa coordenação ao firmar uma parceria com outros grandes produtores. Dessa aproximação surgiu a OPEC+, que reúne 23 países exportadores de petróleo.

Além dos integrantes da Opep, o grupo passou a incluir outros grandes produtores, como:

  • Rússia
  • Cazaquistão
  • Azerbaijão
  • Omã
  • Bahrein
  • Brunei
  • Malásia
  • Sudão
  • Sudão do Sul
  • México

Juntas, essas nações respondem por cerca de 40% da produção global de petróleo.

Como esses grupos influenciam o preço do petróleo

Os países da Opep e da Opep+ se reúnem regularmente para decidir quanto petróleo será colocado no mercado internacional. A ideia é ajustar a oferta de acordo com a demanda global.

Quando a procura por petróleo cai, o grupo pode reduzir a produção, diminuindo a oferta e ajudando a sustentar os preços. Em momentos de demanda maior, também pode aumentar a produção, o que tende a aliviar pressões sobre o mercado.

Por isso, mudanças na composição desses grupos — como a saída dos Emirados Árabes Unidos — são acompanhadas de perto por investidores e governos, já que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo no mundo.

Como isso pode afetar os bolso dos brasileiros?

Mudanças dentro da Opep e da Opep+ costumam ser acompanhadas de perto pelos mercados porque podem influenciar o preço do petróleo no mundo — e isso, por consequência, tende a repercutir também no custo dos combustíveis em diferentes países, incluindo o Brasil.

Isso ocorre porque o valor do barril é um dos fatores considerados pela Petrobras ao definir os preços de produtos como gasolina, diesel, gás natural e gás de cozinha (GLP) no mercado interno.

Ainda assim, é cedo para medir qual será o impacto concreto da saída dos Emirados Árabes Unidos sobre os preços no país.

Primeiro, será preciso observar se a reação do mercado representa apenas uma oscilação momentânea ou se o movimento poderá alterar de forma mais duradoura o equilíbrio entre oferta e demanda de petróleo.

Além disso, o preço pago pelos consumidores brasileiros depende de outros elementos além do petróleo internacional. Entre eles estão a cotação do dólar, a política de preços adotada pela Petrobras e o nível de impostos que incidem sobre os combustíveis.

Logo da Opep durante reunião informal de membros da organização em Argel, capital da Argélia, nesta quarta-feira (28) — Foto: Reuters/Ramzi Boudina

Logo da Opep durante reunião informal de membros da organização em Argel, capital da Argélia, nesta quarta-feira (28) — Foto: Reuters/Ramzi Boudina