STF se tornou ameaça à democracia no Brasil, diz revista ‘The Economist’

A revista britânica The Economist publicou um editorial acerca da crise do Supremo Tribunal Federal entitulado "Quando os defensores da democracia lhe viram as costas" — Foto: Reprodução: The Economist

A revista britânica The Economist publicou um editorial acerca da crise do Supremo Tribunal Federal entitulado “Quando os defensores da democracia lhe viram as costas” — Foto: Reprodução: The Economist

“Agora, com a eleição geral se aproximando, em 4 de outubro, os defensores da democracia se tornaram uma ameaça. O Supremo Tribunal Federal está no centro de um escândalo de corrupção repugnante e cada vez maior. No meio dele está o ministro que supervisionou o processo contra Bolsonaro, Alexandre de Moraes”, diz a publicação.

A revista descreve a crise no Supremo como uma disfunção institucional que está minando a confiança nas instituições do país e aponta para o desgaste da Corte às vésperas das eleições de outubro.

“Os erros processuais de Mendonça e as tentativas descaradas de Moraes de se proteger também poderiam fornecer justificativa jurídica para encerrar toda a investigação sobre o Banco Master”.

Em meio à crise sem precedentes no Supremo, Fachin fala em dar resposta firme

Em meio à crise sem precedentes no Supremo, Fachin fala em dar resposta firme

A The Economist também destacou as relações entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por suspeitas de fraude e compra de influência. A revista se referiu ao banqueiro, preso desde março deste ano, como um “playboy” e o “maior fraudador da história do Brasil”.

O editorial citou os contratos envolvendo o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, e as mensagens trocadas entre o jurista e Vorcaro antes da prisão do empresário.

“O fato de um poderoso ministro do Supremo ter qualquer ligação com o maior fraudador do Brasil já é decepcionante. Pior ainda é a reação de Moraes. Quando os vínculos entre os dois vieram à tona pela primeira vez, o presidente do tribunal, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de ética que, entre outras medidas, obrigaria os ministros a prestar contas sobre rendimentos obtidos fora do tribunal. Moraes debochou da ideia”.

LEIA TAMBÉM

O inquérito das fake news também ganhou destaque. A derrubada de contas de perfis bolsonaristas foi definida pelo veículo como “decisões questionáveis”. A revista também criticou o fato de Moraes “estar comprometido no caso porque acumulava os papéis de vítima, acusador e juiz”.

Ainda assim, o texto destaca que os avanços do ministro foram “deixados de lado” diante de uma “ameaça maior”, em referência à tentativa de golpe de Estado planejada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

“Essa é a tragédia do Brasil. A corrupção no coração de suas instituições pode enfraquecer a confiança na democracia mais do que Bolsonaro jamais conseguiu”, conclui o texto.