Alckmin classifica como ‘injusta’ proposta de departamento dos EUA de taxar exportações do Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro classifica como “injusta” a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Ele também afirmou que o Brasil recebeu “com indignação” o resultado de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos.

Entre essas práticas citadas pelo departamento dos EUA, estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

“O Brasil recebe com indignação e é injusta a proposta, entende que ela é injusta”, afirmou Alckmin.

Alckmin deu as declarações após uma reunião com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em que as conclusões do USTR foram debatidas.

Agora no g1

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O vice-presidente rebateu as críticas ao PIX, destacando que o sistema é uma conquista tecnológica que impulsiona a economia sem custos para os cidadãos.

“O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro. É tecnologia a serviço da sociedade e da economia, garantindo agilidade sem custos para a população”, afirmou o vice-presidente.

Sobre a relação com o setor de tecnologia, o ministro ressaltou que o governo mantém as portas abertas. “O Brasil é aberto às big techs. Empresas nacionais e estrangeiras recebem o mesmo tratamento no país”, pontuou.

Desequilíbrio comercial e tarifas

Alckmin destacou que a balança comercial entre os dois países é amplamente favorável aos americanos. Segundo ele, os EUA registram um superávit de US$ 40 bilhões na relação com o Brasil.

O vice-presidente citou exemplos de desequilíbrio no setor de commodities, como etanol e açúcar.

“Dos dez produtos que o Brasil mais importa dos EUA, oito entram aqui com tarifa zero. Entendemos que essa proposta [de taxação] é total descabível”, defendeu.

Meio ambiente e corrupção

O ministro também apresentou dados sobre a redução do desmatamento para reforçar o compromisso ambiental do governo. Ele destacou que a Amazônia registrou uma queda de mais de 50% nos índices.

Alckmin lembrou que o país aprovou dispositivos recentes para fortalecer o combate à corrupção e respeita as normas de propriedade intelectual — área onde, segundo ele, os EUA são os maiores beneficiários.

Diálogo e críticas a ‘sabotadores’

Apesar da indignação com a proposta, o vice-presidente afirmou que o caminho para evitar que as recomendações se convertam em sanções reais é a diplomacia.

“O caminho é o diálogo que já vem ocorrendo. Não existe tema proibido”, disse Alckmin, que também aproveitou para criticar opositores internos”, declarou Alckmin.

Falsos patriotas e sabotadores colocam interesses pessoais e eleitorais acima do país. Vamos trabalhar e dialogar para que essas medidas não se concretizem”.

Ao lado de Alckmin, também participaram da entrevista coletiva em Brasília o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

Durante a coletiva, Durigan também saiu em defesa do PIX, afirmando que o mecanismo financeiro é um “símbolo da nossa soberania financeira” e “não está em debate”. Durigan também criticou a atuação da família Bolsonaro.

“Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix. E, sobre a Seção 301, mais do que estar fora do debate, ele é símbolo da nossa soberania financeira, orgulho do país e do nosso povo. De fato, inovamos, geramos uma tecnologia cobiçada por regiões que querem ter um Pix. As pessoas usam com facilidade, e interesses privados e particulares se sentem contrariados com essa abertura de um meio de pagamento democrático. O Pix será protegido, resguardado e não está em debate”, afirmou.

Durigan também disse que a taxação imposta pelos Estados Unidos prejudica empresários e trabalhadores brasileiros. Mas que o governo tem como contestar os pontos apresentados pelos americanos.

“O desmatamento é combatido, o trabalho e a renda das famílias melhoraram, propriedade intelectual é uma área em que eles são os maiores beneficiados, e as big techs têm um grande mercado no Brasil. Cumprindo as leis brasileiras, podem operar normalmente no país”, declarou.

Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o governo pretende manter as articulações mesmo durante o feriado de Corpus Christi para tentar “desarmar a possibilidade de um novo tarifaço” dos Estados Unidos.

De acordo com esses auxiliares, novas reuniões entre representantes dos dois governos podem ocorrer ainda nesta semana.

Vice-presidente Geraldo Alckmin em imagem de arquivo — Foto: Fabio Rodrigues/g1

Vice-presidente Geraldo Alckmin em imagem de arquivo — Foto: Fabio Rodrigues/g1