Lula diz que ‘filhos são piores que Bolsonaro’ ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: ‘Traidores da pátria’
Lula associa ‘filhos de Bolsonaro’ a novo tarifaço proposto pelos EUA
O petista também defendeu que os filhos do ex-presidente são “piores que ele”.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões [vendedores que traem interesses coletivos para se beneficiarem] da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disse Lula.
“É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. […]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”, prosseguiu o presidente.
Em nota, o governo brasileiro afirmou ter recebido o relatório dos EUA “com indignação”. E disse que o documento foi feito após “provocação da família Bolsonaro”. Para o governo, o documento é uma tentativa de ingerência em temas internos (leia a íntegra aqui).
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Lula disse na semana passada que Brasil não aceita “ser tratado como moleque”, após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula disse na semana passada que Brasil não aceita “ser tratado como moleque”, após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Lula comentou o relatório mais recente da Secretaria de Comércio americana durante discurso em um evento em Catalão (GO), no fim da manhã.
Na fala, relembrou o anúncio feito pelos Estados Unidos em julho do ano passado de uma taxação sobre produtos brasileiros.
À época, o governo americano afirmou que a medida ajudaria a restabelecer o equilíbrio da balança comercial entre os dois países. Dados de comércio exterior, porém, mostram superávit dos Estados Unidos na relação comercial com o Brasil.
🔎 Na ocasião, o governo Trump anunciou uma sobretarifa de 40%, somada aos 10% já aplicados anteriormente, sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.
➡️A medida afetou setores da indústria e do comércio e levou os dois países a abrir negociações para tentar reverter as taxas. Em novembro, parte das sobretarifas foi revogada.
Segundo Lula, as sanções impostas pelo governo americano são uma reação à atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio e Eduardo Bolsonaro, junto a integrantes da Casa Branca. O presidente citou, em especial, o grupo ligado ao secretário de Estado, Marco Rubio.
“No dia em que ele [Trump] taxou, os ‘meninos do Bolsonaro’, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’. Queremos o Magnistky’ , a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes”, disse Lula.
🔎O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi incluído em julho do ano passado na lista de autoridades estrangeiras punidas pela Lei Magnistky, que prevê sanções econômicas. Em novembro, ele foi retirado.
Ele prosseguiu: “Então, o filho dele [Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer ‘Obrigado, Trump’. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação”.
Lula associa filhos de Bolsonaro a novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil
Lula, então, disse que está falando isso para que as pessoas saibam que estão “lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu”.
“Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Eu enfrentei gente do centro. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022”, disse.
O petista, então, repetiu a negativa de Flávio: “Só para lembrar: ele hoje foi dizer que não falou nada. E falou. Ele foi pedir arrego. Foi dizer: ‘porr*, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, Trump, não deixa. Prejudica o Lula’. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo, os empresários, o agronegócio brasileiros”.
“Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. Para um homem cristão como eu, obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump foi que a China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês”, disse Lula.
“Então, eu tenho muita sorte. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não permitirei que a mentira predomine sobre a verdade”, ressaltou o presidente.
Ainda no discurso com críticas a Flávio Bolsonaro, Lula destacou a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Lula afirmou que os filhos de Bolsonaro e outros políticos “encontraram um jeito de ficar rico”, que é sendo “amigo de Daniel Vorcaro”. “Aí é fácil, mas é complicado roubar. Você pode ser preso”, emendou o petista.
Relatório dos EUA
Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial
Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.
O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.
A sugestão do Departamento de Comércio, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.
A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.
Íntegra da nota do governo do Brasil
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Lula durante evento em Goiás — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Lula durante evento em Goiás — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Leia a íntegra da nota divulgada pelo governo brasileiro sobre o relatório do Escritório de Comércio dos EUA:
CONCLUSÃO PRELIMINAR DA INVESTIGAÇÃO DA SEÇÃO 301
O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.
Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.
É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.
Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.
Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.
O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.
Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.
O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.
O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.
É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.



