De inimigo a parceiro: a guinada de Delcy Rodríguez sobre Trump e os EUA

Delcy Rodríguez promete realizar eleições na Venezuela durante discurso na ONU

Delcy Rodríguez promete realizar eleições na Venezuela durante discurso na ONU

Sete anos separam dois discursos de Delcy Rodríguez na ONU e realçam discrepâncias na retórica belicosa que marcava as relações com os Estados Unidos.

Em 2019, a então vice-presidente da Venezuela exaltou Nicolás Maduro, a quem representava, e execrou Donald Trump, por reconhecer Juan Guaidó como presidente legítimo do país.

“Venho em nome da única Venezuela, a Venezuela digna e corajosa, que não se curva a nenhum poder imperial”, declarou na época.

“A Venezuela deve definitivamente abandonar o caminho que permitiu que o extremismo e a intolerância prevalecessem sobre a convivência democrática e pacífica”, proferiu.

As palavras de Rodríguez nas duas ocasiões ressaltam a dissonância no seu papel como uma das principais representantes do chavismo. A retórica anti-imperialista deu lugar à linguagem da cooperação com Washington.

A lealdade mudou de figura e o antigo inimigo passou a ser apresentado como parceiro. Os gestos do primeiro encontro com o presidente americano refletiram esta guinada: Trump levantou o dedo polegar, Delcy fez o V, de quem a salvou a própria pele, distanciando-se de Maduro e marcando posição a serviço do governo dos EUA.

Trump e Delcy Rodríguez se encontraram na noite de terça-feira (22/9), em Nova York — Foto: X/Delcy Rodríguez

Trump e Delcy Rodríguez se encontraram na noite de terça-feira (22/9), em Nova York — Foto: X/Delcy Rodríguez

Em comum, Rodríguez e Machado vêm digerindo doses de humilhação pública administradas por Trump, até agora o maior vencedor da nova ordem de comando do país caribenho. Do púlpito das Nações Unidas ele gabou-se da vitória com a sentença: “Aos vencedores, os despojos.”

A aproximação com Delcy Rodríguez, contudo, preocupa republicanos e desagrada à comunidade latina nos EUA. Pode custar caro ao presidente em novembro.