Etanol do posto pode receber corante verde e gosto amargo para não ser usado em bebidas falsas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/r/i/Je3IOrTniI4GBYT5hX4w/onix-eco-3.jpg)
Carro abastece com etanol hidratado em posto de combustíveis. — Foto: Divulgação / GM
Carro abastece com etanol hidratado em posto de combustíveis. — Foto: Divulgação / GM
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou em setembro um estudo que propõe mudanças na composição do etanol hidratado combustível para dificultar seu uso irregular na fabricação clandestina de bebidas.
A solução considerada definitiva, apontada no estudo, é a adição obrigatória de benzoato de denatônio ao combustível.
A substância tem sabor extremamente amargo e, segundo a avaliação da agência, poderia ser percebida por consumidores caso o etanol fosse usado na adulteração de bebidas.
Governo aumenta etanol na gasolina para 32%; veja quais carros serão afetados
A adoção da medida, no entanto, ainda depende de testes de viabilidade. A ANP pretende avaliar se a substância pode provocar impactos relevantes nos componentes dos veículos ou nas emissões dos motores.
O benzoato de denatônio já é utilizado em diferentes produtos, como itens de higiene e limpeza, justamente para diferenciá-los de bebidas alcoólicas. Segundo o estudo, porém, não há precedentes de sua utilização em etanol destinado ao uso em motores.
Por causa da necessidade dos testes mecânicos, ainda não há prazo para a implementação da solução do “gosto amargo”.
Enquanto isso, a ANP propõe uma medida provisória: a adição obrigatória de corante verde ao etanol hidratado combustível nas usinas.
Para colocar essa regra em vigor, a agência terá de revisar a legislação. O processo de revisão começa imediatamente e prevê etapas como:
- Análise de impacto regulatório ou elaboração de Nota Técnica de Regulação;
- Consulta e audiência públicas;
- Votação pela Diretoria Colegiada da ANP.
A previsão é que a norma revisada estabeleça um período de transição para que as usinas os possam se adaptar. A expectativa da ANP é implementar a medida ainda em 2027.
O estudo foi realizado após diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e do Tribunal de Contas da União (TCU).
A avaliação incluiu reuniões com produtores de etanol, distribuidores de combustíveis líquidos, fornecedores de corantes, empresas de inspeção da qualidade, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Câmara Setorial da Cachaça do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Também foram realizados testes físico-químicos no Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP (CPT), além da análise de outros estudos.
A medida atende à Resolução CNPE, que determinou que a ANP realizasse estudos para prevenir o desvio de etanol hidratado combustível para a fabricação clandestina de bebidas, como ocorreu no Brasil em 2025 com pessoas intoxicadas por metanol.
O trabalho também atende a uma recomendação do TCU, resultado de auditoria sobre a prevenção e repressão à adulteração de bebidas alcoólicas e os riscos à saúde da população.
No começo de setembro, o relatório foi encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, e ao TCU.



