Jaguar Land Rover anuncia corte de 4 mil vagas em plano para reduzir custos

Preços de carros usados caem até 20% com enxurrada de novos modelos chineses

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A fabricante britânica de carros de luxo Jaguar Land Rover anunciou nesta segunda-feira (7) que reduzirá em quase 10% seu quadro de funcionários por meio de um programa de demissão voluntária ao longo dos próximos dois anos.

A medida ocorre em meio às crescentes pressões enfrentadas pela indústria automobilística, incluindo a concorrência de fabricantes chineses e os efeitos das tarifas comerciais.

Controlada pela indiana Tata Motors e com 17 unidades na Inglaterra, a fabricante de veículos de luxo informou que eliminará cerca de 4 mil postos de trabalho.

O objetivo é economizar 1,7 bilhão de libras (cerca de R$ 12,5 bilhões) e reduzir seu ponto de equilíbrio para aproximadamente 300 mil veículos.

A JLR emprega cerca de 43 mil pessoas em todo o mundo, sendo 34 mil no Reino Unido, mas não informou onde os cortes serão realizados.

“A indústria automotiva enfrenta desafios significativos, com mudanças tecnológicas em meio à intensa concorrência e à persistente incerteza geopolítica”, afirmou o CEO da JLR, PB Balaji, em comunicado.

A JLR ainda se recupera de um ataque cibernético sofrido em 2025, que provocou uma longa paralisação da produção e afetou sua cadeia de fornecedores.

Os cortes representam um revés para o governo britânico, que tenta impulsionar uma economia de crescimento lento.

Nesta segunda-feira, o ministro das Finanças, John Healey, discursou em Coventry, cidade próxima à sede da JLR, e apresentou uma visão mais otimista para a economia antes da divulgação do orçamento, prevista para o fim de outubro.

Cortes de custos e concorrência

A JLR afirmou que lançará cinco novos produtos nos próximos 12 meses e manterá investimentos entre 15 bilhões e 18 bilhões de libras (cerca de R$ 110,5 bilhões a R$ 132,6 bilhões) ao longo dos próximos cinco anos em eletrificação, tecnologias digitais, manufatura avançada e melhorias na experiência do cliente.

Mesmo assim, a empresa disse que precisa reduzir custos e simplificar sua estrutura para tornar o negócio mais resiliente.

O programa de demissão voluntária afetará principalmente os 26 mil funcionários das áreas administrativa e de gestão.

O ministro dos Negócios, Jonathan Reynolds, conversou com Balaji nesta segunda-feira e deve se reunir ainda nesta semana com representantes da empresa e dos sindicatos.

“Entendemos que este será um período de incerteza e preocupação para os trabalhadores afetados, suas famílias e as comunidades, e sabemos que as atuais condições de mercado são desafiadoras para a indústria automotiva em todo o mundo”, afirmou o porta-voz do primeiro-ministro, Andy Burnham.

Já o prefeito da região, Richard Parker, anunciou um pacote de 500 mil libras (cerca de R$ 3,7 milhões) para apoiar os funcionários que aderirem ao programa de demissão voluntária.

Logotipos das marcas britânicas Jaguar e Land Rover, pertencentes à indiana Tata Motors, em frente a uma concessionária em Nova Délhi, na Índia. — Foto: Reuters

Logotipos das marcas britânicas Jaguar e Land Rover, pertencentes à indiana Tata Motors, em frente a uma concessionária em Nova Délhi, na Índia. — Foto: Reuters