Jornalista é escolhido rei de monarquia de Uganda após morte de antigo ‘rei menino’
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O príncipe Edward Kijanangoma Rukidi foi nomeado sucessor do falecido Omukama Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, abrindo caminho para um novo reinado no Reino de Tooro. — Foto: Reprodução: UBC TV
O príncipe Edward Kijanangoma Rukidi foi nomeado sucessor do falecido Omukama Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, abrindo caminho para um novo reinado no Reino de Tooro. — Foto: Reprodução: UBC TV
Um comitê de seleção do Tooro anunciou Edward Rukidi Kijanangoma como príncipe herdeiro após uma busca pelo sucessor. Primo do rei morto, Kijanangoma é apresentador e editor da emissora estatal Uganda Broadcasting Corporation.
A previsão é que ele seja coroado ainda nesta semana. Oyo será enterrado no sábado, em uma cerimônia que deve reunir dezenas de milhares de pessoas em uma cidade remota próxima à fronteira com a República Democrática do Congo. O rei morreu de câncer e não era casado. A morte comoveu muitos ugandenses que acompanharam sua trajetória desde a infância e o viram se tornar um líder querido do antigo reino.
Tooro é um dos cinco reinos tradicionais reconhecidos pelo governo de Uganda. As monarquias não têm soberania formal nem autoridade política no país.
O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, havia afirmado que Oyo deixou um herdeiro jovem, nascido fora do casamento. O comitê de Tooro, porém, decidiu não considerar essa possibilidade.
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Conhecido por seu estilo simples como apresentador, Kijanangoma pode ter sido escolhido para agradar tanto tradicionalistas que defendem a continuidade da monarquia quanto aqueles que são contrários à ideia de outra criança assumir o trono.
A decisão, porém, pode provocar controvérsia e até uma disputa judicial caso os admiradores de Oyo se sintam afastados do processo. A escolha foi imediatamente rejeitada por uma das parentes mais próximas do antigo rei. Ruth Komuntale, irmã de Oyo, disse à emissora local NBS que estava decepcionada e afirmou que a decisão poderia provocar divisão e turbulência. Segundo ela, o testamento de Oyo afirmava claramente que ele havia deixado um herdeiro para o trono.
Oyo foi coroado em 1995, aos 3 anos, após a morte do pai. Na época, tornou-se conhecido como o rei mais jovem do mundo. Durante a cerimônia, participou de rituais tradicionais e foi levado ao cemitério real, onde realizou um ritual de passagem para a vida adulta ao lançar nove grãos de café na sepultura do pai.
Durante sua infância, Oyo era uma figura de grande fascínio, inclusive para líderes mundiais que o conheceram em eventos oficiais. Ele foi orientado por regentes escolhidos pelo reino até completar 18 anos.
O líder líbio Muammar Gaddafi também se aproximou da família real de Tooro e chegou a visitar Uganda várias vezes. Ele apoiou Oyo e a rainha-mãe durante anos, até sua morte, em outubro de 2011.
Os reinos tradicionais de Uganda foram proibidos após a independência do país do domínio colonial britânico. A medida foi tomada pelo presidente que defendia a unificação nacional. As monarquias foram restauradas em 1993.
Embora não tenham autoridade política e sejam proibidas por lei de participar de atividades partidárias, as famílias reais tradicionais ainda exercem influência como guardiãs da cultura e das tradições de seus povos.
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O Rei do Reino de Tooro, em Uganda, Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, em seu aniversário de 18 anos. — Foto: AP/Marc Hofer, Arquivo
O Rei do Reino de Tooro, em Uganda, Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, em seu aniversário de 18 anos. — Foto: AP/Marc Hofer, Arquivo



