Na ONU, Autoridade Palestina denuncia ‘esquema colonialista’ de Israel e faz apelo: ‘Não deixem outros massacres acontecerem’

Presidente da Autoridade Palestina discursa na ONU — Foto: Caitlin Ochs/Reuters

Presidente da Autoridade Palestina discursa na ONU — Foto: Caitlin Ochs/Reuters

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, denunciou um “esquema colonialista” de Israel nos territórios palestinos e fez um apelo para a comunidade internacional “não deixar outros massacres ocorrerem”, em discurso na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24).

Abbas afirmou que o território palestino “está sendo fragmentado” por Israel e que o povo palestino e sua liderança não deveriam ser punidos por exigir o fim da ocupação israelense. Ele também denunciou a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

“O que está ocorrendo em Gaza, Cisjordânia e em Jerusalém ocupada não são incidentes separados. Israel está realizando um esquema colonialista e maligno com objetivo de dificultar as vidas de palestinos em sua terra e apagar a presença palestina. (…) Não deixem outra Nakba nem outros massacres ocorrerem”, afirmou Abbas.

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Abbas também apelou para que a comunidade internacional impeça a implementação dos assentamentos israelenses na área E1 na Cisjordânia, que efetivamente dividiriam o território em dois. Ele acusou um aumento do “terrorismo” dos colonos israelenses, com apropriação indevida de terras e demolição de casas, sob uma lógica de “discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo de Estado”.

“O povo palestino permanecerá em sua terra. O povo palestino não aceitará o deslocamento, não aceitará o deslocamento e não desaparecerá. (…) Não ficaremos esperando nem aceitaremos o que quer que os governos de Israel decidam por nós. Eles não têm esse direito”, afirmou o presidente palestino.

Diante desse cenário, Abbas pediu para que o Conselho de Segurança da ONU não deixe morrer a Solução de Dois Estados —resolução de 1947 para criação dos Estados de Israel e da Palestina.

“Por quanto tempo alguns Estados continuarão em silêncio sobre Israel ou continuarão a abastecê-lo com as armas que usa contra nosso povo? O que a comunidade internacional está esperando para proteger o povo palestino?”, questionou Abbas.

Ao mesmo tempo em que saudou o plano de 20 pontos de Donald Trump que decretou o fim da guerra em Gaza, Abbas voltou a fazer apelos pela retirada dos militares de Israel e da entrada de ajuda humanitária em larga escala no território, algo que ainda não ocorreu, segundo ele.

O discurso de Abbas ocorreu em meio à expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e a um impasse na Faixa de Gaza no pós-guerra.

A autoridade palestina não estava presente no plenário da ONU e seu discurso foi transmitido aos presentes, porque o governo Trump negou seu visto —assim como em 2025. Inclusive, Abbas criticou o governo Trump por ter negado vistos a ele e a sua equipe para a Assembleia Geral.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também discursará na Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira. Ele prometeu que vai “dizer a verdade” sobre as tropas israelenses —envolvidas em Gaza e em outros conflitos pelo Oriente Médio— e criticará o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.

Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em discurso gravado na Assembleia Geral da ONU em 24 de setembro de 2026. — Foto: UN TV via Reuters

Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em discurso gravado na Assembleia Geral da ONU em 24 de setembro de 2026. — Foto: UN TV via Reuters