Trump manobra para transformar invasores do Capitólio em perseguidos políticos (com dinheiro do contribuinte)
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Foto de 6 de janeiro de 2021, dia da invasão ao Capitólio dos EUA, mostra policiais conversando com apoiadores do então presidente americano, Donald Trump, incluindo Jacob Chansley (à direita), do lado de fora do plenário do Senado — Foto: Manuel Balce Ceneta/AP
Foto de 6 de janeiro de 2021, dia da invasão ao Capitólio dos EUA, mostra policiais conversando com apoiadores do então presidente americano, Donald Trump, incluindo Jacob Chansley (à direita), do lado de fora do plenário do Senado — Foto: Manuel Balce Ceneta/AP
Num caso emblemático de algozes que se transformam em vítimas, os simpatizantes de Donald Trump que invadiram o Capitólio, no dia 6 de janeiro de 2021, poderão ser indenizados pela tentativa de motim. E com o dinheiro do contribuinte. O fundo de US$ 1,776 bilhão para ressarcir os que se dizem prejudicados pelos processos judiciais reforça a obsessão do presidente americano de reescrever a história do maior ataque à democracia americana.
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Naquele dia, o presidente derrotado incitou uma mobilização para impedir a certificação do presidente eleito, Joe Biden, e reverter o resultado da eleição. O resultado foi trágico. Cinco policiais foram mortos na tentativa de conter a violenta ação de uma multidão dentro das instalações da sede do Congresso.
Quatro anos depois, no primeiro dia de seu segundo mandato, Trump anistiou mais de mil pessoas acusadas no ataque e comutou as penas de todos os condenados pelos crimes violentos no Capitólio. Era a primeira tentativa do presidente de inocentar os responsáveis por saques, depredações e perseguições a congressistas e ao então vice-presidente Mike Pence.
Vieram outras, como a criação de um site hospedado no domínio oficial da Casa Branca, que falsamente corrobora a versão de que a invasão do Capitólio foi um “protesto pacífico de patriotas” contra o resultado de eleições que teriam sido fraudadas.
“É uma forma de reembolsar as pessoas que foram tratadas de forma horrível. Elas estão sendo reembolsadas de honorários de advogados e outras coisas que tiveram que suportar”, justificou Trump, que supervisionará um conselho de cinco membros do Departamento de Justiça, a quem caberá a destinação da verba.
Os beneficiados são, em boa parte, aliados do movimento MAGA, que sustenta politicamente o presidente, embora o procurador-geral interino, Todd Blanche, tenha sugerido ironicamente em audiência ao Senado que o fundo também poderia ser destinado a oponentes. “Não há limitação para as reivindicações”, afirmou.
Num momento em que o país enfrenta uma guerra no Oriente Médio e a alta de custo de vida, a repercussão da indenização — denominada de Fundo Antiarmamento — foi negativa entre opositores democratas e também nas fileiras republicanas. O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, divergiu do plano proposto pelo presidente.
“Não sou um grande fã. E não tenho certeza exatamente de como eles pretendem usá-lo”, resumiu.
A criação de um fundo de compensação mobiliza a base eleitoral, mas é arriscada para Trump, que amarga a queda de popularidade entre os americanos. O plano é resultado da ação judicial de US$ 10 bilhões movida pelo presidente e filhos contra a Receita Federal (IRS) pelo vazamento das declarações de imposto de renda.
Um acordo extrajudicial estabelece imunidade a Trump e filhos contra auditorias fiscais em andamento. Em troca, o Departamento de Justiça reservou o fundo bilionário. O valor estipulado teve um critério simbólico e caro para o presidente: 1776, o ano da independência dos EUA.
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