Como uma visita a uma ilha reacendeu tensões entre Rússia e Japão
Vladimir Putin faz 1ª visita estatal às Ilhas Curilhas
Putin foi a Iturup, uma das quatro ilhas que a Rússia controla desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas que são reivindicadas pelo Japão. Tóquio considera o território parte dos chamados Territórios do Norte, enquanto Moscou o inclui nas Curilhas do Sul.
Durante a visita, Putin foi a uma escola, visitou uma unidade de processamento de pescado e chegou a provar caviar. Em um vídeo divulgado pelo Kremlin, o presidente russo brincou sobre o clima da região: “Parece um resort”.
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O presidente russo Vladimir Putin conversa com representantes de agências de notícias internacionais durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, na Rússia. — Foto: AP/Dmitri Lovetsky
O presidente russo Vladimir Putin conversa com representantes de agências de notícias internacionais durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, na Rússia. — Foto: AP/Dmitri Lovetsky
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, reagiu à viagem e classificou a visita como “absolutamente inaceitável”. “Fere os sentimentos do povo japonês”, declarou.
A Rússia rejeitou as críticas. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, classificou as declarações japonesas como “juridicamente infundadas” e acusou Tóquio de manter uma “política antirrussa que beira a hostilidade”.
“Tóquio volta a estar obcecada por discursos revisionistas”, acrescentou.
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Mapa mostra onde ficam as Ilhas Curilhas, disputadas entre o Japão e a Rússia. — Foto: Dhara Pereira/Arte g1
Mapa mostra onde ficam as Ilhas Curilhas, disputadas entre o Japão e a Rússia. — Foto: Dhara Pereira/Arte g1
A disputa pelas ilhas impede Rússia e Japão de assinarem um tratado de paz que encerre formalmente as hostilidades da Segunda Guerra Mundial.
As quatro ilhas, Iturup, Kunashir, Shikotan e Habomai, foram ocupadas pela União Soviética em 1945, nos últimos dias da guerra. Cerca de 20 mil russos vivem atualmente na região.
- O Japão reivindica as ilhas com base em um tratado assinado em 1855, que estabeleceu a fronteira entre os dois países.
- A Rússia, por outro lado, argumenta que as Curilhas foram destinadas à União Soviética durante a Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945.
As relações entre os dois países pioraram ainda mais depois da invasão russa da Ucrânia, em 2022. O Japão aderiu às sanções ocidentais contra a Rússia e, pela primeira vez desde 2003, passou a classificar as ilhas do sul das Curilhas como território “ocupado ilegalmente”.
Na quarta-feira (12), Putin criticou as sanções japonesas e afirmou que a Rússia não representa uma ameaça para o Japão.
“O Japão identificou a Rússia como uma grande fonte de ameaças. Gostaria de ressaltar que não estamos ameaçando o Japão”, disse.
Tensão militar
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Navio japonês navega entre ilhas do Japão e da Rússia. Ao fundo, uma das ilhas Curilas, território disputado entre os dois países. — Foto: Issei Kato/File Photo/Reuters
Navio japonês navega entre ilhas do Japão e da Rússia. Ao fundo, uma das ilhas Curilas, território disputado entre os dois países. — Foto: Issei Kato/File Photo/Reuters
A visita de Putin ocorre em meio ao aumento da tensão militar no entorno do Japão.
Um dia antes de viajar a Iturup, o presidente russo esteve na ilha de Sacalina, onde a Marinha russa realizava exercícios militares. Segundo a imprensa estatal russa, Putin também participou de uma reunião sobre a “garantia da segurança das fronteiras orientais da Rússia”.
Putin também estreitou a cooperação militar com a China. Forças navais e aéreas dos dois países realizam exercícios conjuntos em áreas próximas ao Japão, levando aeronaves japonesas a decolar em estado de alerta centenas de vezes por ano.
A Coreia do Norte, que neste mês criticou o reforço militar japonês, também apoia a Rússia na guerra contra a Ucrânia com o envio de soldados e munições.
A ONU pediu que os dois países ajam com “moderação”. Segundo o porta-voz do secretário-geral António Guterres, a disputa é uma questão bilateral entre Estados-membros, e Rússia e Japão devem evitar ações que possam aumentar as tensões.
*Com informações da AFP.
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